Greve de petroleiros reduz produção da Petrobras

A agência de classificação de risco Moody's reduziu a nota da Petrobras pela terceira vez em 2015

A greve de petroleiros iniciada no final de outubro por aumento salarial reduziu a produção da Petrobras em mais de 20%, disse nesta terça-feira à AFP um representante sindical.

"A greve reduziu a produção em mais de 20% e a Petrobras continua intransigente", declarou nesta terça-feira à AFP Emanuel Cancella, diretor da Federação Nacional de Petroleiros (FNP), o sindicato na origem da paralisação que reagrupa cerca 40.000 dos 85.000 trabalhadores da Petrobras.

A Petrobras reconheceu em um comunicado na noite desta terça que a mobilização afeta suas operações e estimou uma redução de 8,5% na produção diária de petróleo e de 13% na produção de gás.

A estatal destacou que "a distribuição está funcionando dentro da normalidade e que não há previsão de desabastecimento do mercado".

A produção da Petrobras em setembro foi de dois milhões de barris diários, para consumo interno.

"Lançamos uma greve ilimitada em 24 de outubro e no domingo a Federação Unitária de Petroleiros (FUP) se juntou a nós", acrescentou Cancella.

"Os grevistas pedem um aumento salarial de 18%, que compreende o reajuste da inflação e um aumento real, assim como uma taxa de produtividade", explicou o dirigente sindical.

Na quinta-feira, a direção da Petrobras propôs 8,11% de aumento à FNP e as negociações foram suspensas até segunda ordem, disse Cancella.

"Várias plataformas petroleiras estão paralisadas na bacia de Campos, no Rio, e a Petrobras está colocando ali pessoas não qualificadas para trabalhar", alertou o líder sindical.

A Petrobras é alvo de um grande escândalo de subornos em troca de contratos com ramificações no mais alto da esfera política, custando à companhia mais de 2 bilhões de dólares.

As investigações da polícia e a justiça revelaram que as maiores construtoras do país integravam um cartel que repartia os contratos -superfaturados de 1% a 3%- da companhia em troca de subornos para diretores da estatal, políticos e seus partidos.

Para enfrentar os prejuízos causados pela corrupção e a queda nos preços do petróleo, a Petrobras anunciou que reduzirá seus investimentos de 28 bilhões para 25 bilhões de dólares este ano, e de 27 bilhões para 19 bilhões de dólares em 2016.

Em junho, já havia anunciado um corte drástico de 76,5 bilhões de dólares, deixando aberta a possibilidade de outras reduções por "fatores de risco" como o preço do barril de petróleo ou a taxa de câmbio.

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