Greve provoca engarrafamento de mais de 600 km nos arredores de Paris

PARIS — Um engarrafamento de mais de 600 km foi registrado nos arredores de Paris na segunda-feira, segundo a imprensa local, conforme os protestos contra uma reforma previdenciária avançam em toda a França. Já nesta terça-feira, o congestionamento ultrapassou 300 km.

Nesta terça, no 13º dia de protestos que paralisam principalmente os transportes públicos, oito das 14 linhas do metrô de Paris foram fechadas. O restante seguia com serviço limitado, com exceção de duas linhas que são totalmente automatizadas. Para tentar fugir nas paralisações, muitas pessoas decidiram ir para o trabalho de carro, o que provocou mais engarrafamentos. Algumas também optaram por bicicletas e patinetes elétricos para se locomover.

Caminhoneiros também iniciaram na segunda-feira um protesto distinto, montando barricadas em rodovias do país para exigir melhores salários e condições de trabalho, segundo a imprensa local.

Em uma publicação no Twitter, a rede de TV francesa BFM publicou uma imagem aérea dos engarrafamentos, na qual é possível ver diversos carros parados em um dos sentidos da via.

 

O operadora ferroviária estatal, SNCF, pediu para viajantes não irem às estações com esperanças de conseguirem viajar, à medida que 80% dos trens na região de Paris não estão funcionando. Nas últimas semanas, policiais e seguranças tiveram que separar pessoas que brigaram para tentar entrar nos trens lotados em algumas estações.

— Os passageiros estão cansados, nossos funcionários que não estão em greve estão cansados — disse o chefe da SNCF na região de Paris, Alain Krakovitch, à BFM. — Minha responsabilidade é espalhar a informação para evitar que passageiros sejam colocados em uma situação insegura.

Os sindicatos franceses buscam mostrar força nesta terça-feira. Como o Natal se aproxima, o risco de manifestações gerarem efeitos negativos aumenta. As greves já impactaram as compras de Natal. As federações de comércio, hotéis e restaurantes informaram ter registrado quedas de 25% a 60% em suas atividades em Paris, em comparação com o mesmo período do ano passado, por causa da greve de transportes que paralisa parte da França.

Uma pesquisa de opinião da Ifop, publicada na segunda-feira no jornal Figaro, indicou que 55% das pessoas acreditam ser inaceitável que a greve continue durante o período de festas.

A França possui hoje um dos modelos de Previdência mais complexos da Europa, compreendendo, além do principal, 42 sistemas relacionados a categorias profissionais específicas, grande parte delas de funcionários públicos. Desde que chegou ao poder, em 2017, o presidente Emmanuel Macron fez da reforma uma das ideias centrais de seu governo.

Na semana passada, em meio à onda de manifestações populares, o governo francês detalhou sua proposta de reforma previdenciária, fazendo algumas concessões aos sindicatos, que no entanto não interromperam o movimento de protesto.

No anúncio, o primeiro-ministro Édouard Philipe disse que as mudanças, se aprovadas, não mexeriam nas aposentadorias atuais — pela proposta inicial, as regras passariam a valer para todas as pessoas nascidas após 1963 que entrassem com pedido de aposentadoria. Agora, apenas os nascidos após 1975 seriam afetados pelas reformas quando deixarem de trabalhar.