Grife do franco-marroquino Charaf Tajer, Casablanca vira hit internacional com boa dose de escapismo

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Em busca do tempo perdido e ávido por ar livre: essa é a mensagem subliminar da marca parisiense Casablanca, do franco-marroquino Charaf Tajer, de 36 anos, que vem bem a calhar um ano e sete meses após o início da pandemia. Criada em 2018, a grife caiu nas graças de fashionistas por traduzir em coleções e estampas o desejo por dias ensolarados na Riviera Francesa e aventuras idílicas no Havaí. Em sua mais recente coleção, lançada em junho, as peças, cujas formas reverenciam a estética dos anos 1990, trazem o lado pop da capital do Japão.

Nascido no Marrocos e criado em Paris, Tajer começou sua ligação com a moda ainda na infância: os pais, que se conheceram trabalhando em um ateliê de moda no país natal, substituíam objetos de décor por máquinas de costura na casa em que viviam. Na entrada da adolescência, passou a vestir peças de grifes francesas como Hermès e Lacoste, idealizando uma realidade distante. “Eu e meus amigos fingíamos ser médicos que iam jogar tênis aos domingos”, relembra o designer em entrevista por chamada de vídeo. “Essas etiquetas eram janelas para um mundo ao qual não tínhamos acesso”, diz. “Venho de família de imigrantes. Como se sabe, os norte-africanos não recebem o melhor tratamento em Paris.”

Foi justamente essa vontade de chegar lá que moveu o designer. Primeiro, ele ajudou a criar a boate parisiense Le Pompon, cenário de after-parties de grifes como Balmain durante as semanas de moda na capital francesa. Em seguida, em 2008, cofundou a label de streetwear Pigalle. No entanto, sentia-se incompleto. “Queria vestir roupas que não eram encontradas no mercado”, reflete. Em 2018, abriu a Casablanca, que une alfaiataria contemporânea com estampas otimistas.

“As proporções vêm de Paris e as cores, do Marrocos”, resume. “As peças são refinadas e descontraídas, feitas em seda, cashmere etecidos turcos para alcançar a mais alta qualidade. Mostro para a nossa comunidade que a gente pode ocupar espaços de classe alta.

A marca rapidamente conquistou celebridades como Dua Lipa, Kendall Jenner e Justin Bieber e, em 2020, Charaf virou finalista do prêmio LVMH, que apoia a carreira de jovens estilistas ao redor do mundo e que já revelou nomes como Simon Porte Jacquemus, em 2015, e Marine Serre, em 2017. Este ano, assinou mais uma colaboração com a New Balance, cujo primeiro lançamento global on-line, um tênis de tons vibrantes, esgotou em 37 segundos. O segredo? Nunca parar: a cada temporada, inspira-se num destino. Mônaco e Havaí já foram homenageados e o Rio foi tema de coleção em 2020. “Se pudesse associar a Casablanca a um esporte, seria ao tênis. E na música, à bossa-nova e à MPB”, diz o estilista, fã de Jorge Ben Jor.

Tajer mostra que o conceito de “luxo” tem diversas interpretações. Para alguns, são peças de alta-costura; para outros, a sustentabilidade. Para ele, a essência está em viver a vida eternamente de férias. Sonho nosso.

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