‘Grosseria’, ‘Imperador do Japão’: Relembre as farpas trocadas entre Lula e Lira que terão primeiro encontro nesta semana

Em sua primeira passagem por Brasília como presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem encontro marcado nesta semana com um personagem que será peça-chave para o funcionamento de seu governo a partir do ano que vem: o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). A reunião ocorrerá após uma série de troca de farpas entre eles ao longo da campanha e será o primeiro tête-à-tête dos políticos.

Presidente do PL: Valdemar da Costa Neto anuncia oposição a Lula

Planos para 2023: Equipe de Lula quer iniciar governo com ‘super campanha de vacinação’

Em maio deste ano, ao rebater críticas feitas por Lula, Lira afirmou que os dois não se conheciam e sequer haviam tomado um café juntos. O comentário veio após o petista chamá-lo de "imperador” e afirmar que ele tentava implantar o “semipresidencialismo” no Brasil ao comentar sobre um grupo de trabalho do presidente da Câmara que discute mudanças do sistema de governo no país.

— Ele (Arthur Lira) já quer tirar o poder do presidente para que o poder fique na Câmara dos Deputados e ele aja como se fosse imperador do Japão. Ele acha que ele pode mandar inclusive mandando no orçamento — declarou Lula na ocasião.

No mesmo dia, Lira rebateu as estocadas do petista enfatizando que eles não se conheciam pessoalmente. Ele disse ter visto a fala do ex-presidente como um gesto de “má-fé”.

— Eu posso até ser comparado a um imperador, mas nunca a um ditador. Eu não tenho projeto de longo prazo, eu tenho possibilidade de me eleger juridicamente, constitucionalmente, mas se vou ser ou não é outra coisa. Falar de mim sem me conhecer é má fé — retrucou Lira.

Críticas ao Orçamento Secreto

Além disso, ele afirmou que Lula estaria gerando “desinformação” ao dizer que ele quer criar o semipresidencialismo no Brasil. Lira alegou que defendia apenas a discussão do tema, e com possibilidade de implementação somente a partir de 2030.

— O presidente Lula não tem o que falar sobre o deputado Arthur Lira porque ele não me conhece, nunca conversou comigo, nunca tomou um café. Eu não costumo falar ou emitir juízo sobre pessoas que eu não conversei. Falar sobre semipresidencialismo é uma grosseria, é desinformação. Ele não pode querer pautar, antes de ser eleito ou não, o que esse Congresso vai debater — concluiu o presidente da Câmara.

Ao longo da campanha, Lula repetiu em comícios por diversas vezes que quem mandava realmente no Brasil era "o Lira". Ele chegou a classificar o atual Congresso como o “pior da história”.

— O Congresso Nacional nunca esteve tão deformado como está agora. Nunca esteve tão antipovo, tão submisso aos interesses antinacionais. É talvez o pior Congresso que já tivemos na história do Brasil — disse Lula em um evento no Paraná com o Movimento dos Sem Terra (MST).

Nesse mesmo comício ele fez duras críticas ao presidente da Câmara e o poder que o orçamento secreto lhe dava.

— Você elege um presidente, pensa que vai governar, mas quem vai governar é a Câmara, com orçamento secreto para comprar o voto dos deputados, para fazer todas as desgraceiras que estão fazendo — disse o petista.

No domingo do segundo turno, após a confirmação do resultado, Lira ligou parabenizando Lula pela vitória. Segundo publicou a colunista do GLOBO Malu Gaspar, a conversa teria sido rápida e protocolar, mas em tom amistoso. O pai do presidente da Câmara, o ex-senador e atual prefeito de Barra de São Miguel (AL) Benedito Lira (PP), foi aliado e integrante da base do governo Lula.

Na semana passada, o presidente do PP, Claudio Cajado (BA), disse ao GLOBO que um eventual apoio do PT à reeleição de Lira na presidência da Câmara dos Deputados no ano que vem pode levar a uma “contrapartida” para que o partido integre a base do governo eleito de Lula.