Mausoléu de Lênin reabre após trabalhos de conservação de múmiado líder

Moscou, 18 abr (EFE).- O mausoléu do fundador da União Soviética, Vladimir Lênin, reabriu nesta terça-feira suas portas após dois meses de trabalhos de conservação da múmia do líder da Revolução Russa, cujo centenário é celebrado neste ano.

Nostálgicos, turistas e curiosos esperaram pacientemente diante do edifício de mármore situado na Praça Vermelha para a reabertura das portas para ver o corpo embalsamado do dirigente comunista.

Com a proximidade do centenário da revolução, houve um aumento do interesse pela múmia de Lênin, que está desde 1924 no mausoléu construído aos pés das muralhas do Kremlin.

Os comunistas renderão tributo no sábado a Lênin perante o mausoléu por ocasião do aniversário de seu nascimento em 22 de abril de 1870.

Habitualmente, o mausoléu pode ser visitado de terças, quarta, quinta e sábados entre 10h e 13h.

O mausoléu é alvo de peregrinação desde a morte de Lênin em 1924, tradição que se mantém desde a queda da URSS, embora a cada ano as visitas diminuam e aumentem as vozes partidárias para pôr fim a este culto à figura de Lênin.

A cada dois anos, especialistas do Centro de Biotecnologias dependentes do Instituto de Plantas Aromáticas e Medicinais da Academia de Ciências de Rússia realizam uma série de procedimentos bioquímicos para preservar a múmia de Lênin.

Segundo os cientistas russos, graças às novas tecnologias o corpo de Lênin pode ser conservado praticamente de maneira indefinida.

Em 2013, o mausoléu foi submetido a uma profunda reconstrução para corrigir uma inclinação que tinha ocorrido em seus alicerces e para a aplicação de um revestimento para protegê-lo da umidade.

Sem contar com as obrigadas ausências para retoques, a múmia de Lênin permanece desde 1 de agosto de 1924 no mausoléu da Praça Vermelha, com exceção dos 1.360 dias durante a Segunda Guerra Mundial, quando foi levado à Sibéria.

Lênin não deixou testamento e sua viúva, Nadezhda Krupskaya, se opôs à exposição do corpo de seu marido e declarou que este tinha expressado seu desejo de descansar junto com sua mãe e irmão no cemitério Volkovo de São Petersburgo.

Diversos inquéritos apontam que cerca de 60% dos russos se pronunciam a favor de dar uma sepultura ao corpo do fundador da União Soviética, o que inclui muitos intelectuais e a Igreja Ortodoxa.

Enquanto isso, o presidente russo, Vladimir Putin, mantém a postura de que Lênin deve permanecer no mausoléu até que uma maioria de russos manifeste publicamente o contrário. EFE