Advogados elogiam PF por 'não espetacularizar' prisão de Torres

Ex-ministro de Jair Bolsonaro foi preso na manhã deste sábado pela PF ao retornar dos Estados Unidos

Anderson Torres (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Anderson Torres (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

A prisão do ex-ministro e ex-secretário Anderson Torres movimentou o grupo Prerrogativas, composto por juristas, defensores públicos e advogados. Integrantes da articulação classificaram como "republicana" e "sem excessos" a postura adotada pela Polícia Federal (PF) durante a ação, ocorrida neste sábado (14).

"Reconhecemos e aplaudimos a postura da Polícia Federal, extremamente sóbria, respeitando os direitos individuais, sem espetacularizar a Justiça e sem carnavalizar as prisões", afirma o coordenador do grupo, o advogado Marco Aurélio de Carvalho.

"Que ao Anderson Torres sejam oferecidas e preservadas as garantias ao devido processo legal, à ampla defesa e ao benefício da dúvida. Que ele possa ter, a favor dele, todas as garantias que ele, [o ex-presidente Jair] Bolsonaro e seus aliados negaram para o campo progressista", continua.

No passado, o grupo foi um dos mais vocais opositores da Operação Lava Jato e ao que chamava de abusos praticados pela força-tarefa, como a realização de conduções coercitivas.

"O Prerrogativas segue defendendo, para Chico e para Francisco, um sistema de Justiça que não seja seletivo, que respeite o sagrado direito de defesa ao devido processo legal e o benefício da dúvida", diz Carvalho, afirmando que o grupo busca preservar a sua coerência.

Anderson Torres foi preso na manhã deste sábado pela PF ao retornar dos Estados Unidos. Ele é o primeiro a ocupar o cargo de ministro da Justiça a ser preso desde a redemocratização e o primeiro integrante do governo de Jair Bolsonaro (PL) preso em consequência dos atos antidemocráticos.

Na terça-feira (10), o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a prisão do ex-ministro após o episódio de ataques golpistas contra as sedes dos três Poderes.

Torres havia reassumido o comando da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal no dia 2 de janeiro e viajou de férias para os EUA cinco dias depois. Ele não estava no Brasil quando bolsonaristas atacaram e depredaram os prédios do STF, Congresso e Palácio do Planalto.

O então secretário foi exonerado do cargo por Ibaneis Rocha (MDB) no domingo, horas antes de o emedebista ser afastado do governo do Distrito Federal por ordem do STF.

Além de sua prisão, Moraes determinou buscas na residência do ex-ministro.

Na quinta-feira (12), a Folha revelou que, durante a operação, a Polícia Federal encontrou na residência de Torres uma minuta (proposta) de decreto para o então presidente Bolsonaro instaurar estado de defesa na sede do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

*com BIANKA VIEIRA (interina), KARINA MATIAS e MANOELLA SMITH