Grupo 'antiDoria' faz protesto contra a obrigatoriedade da vacina em SP

PAULA SOPRANA
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com cartazes contra o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), um grupo de bolsonaristas protestou neste domingo (1º) contra a obrigatoriedade da vacina de coronavírus, apelidada por alguns de "vachina". O ato ocorreu diante do Masp, na capital paulista. A Polícia Militar não estimou o número de participantes presentes, mas, por volta das 14h30, as duas vias da Avenida Paulista foram fechadas para o protesto. Meu corpo me pertence", "Go Trump", "Fora Doria e Vachina" e "Doria, não sou cobaia" eram algumas das frases estampadas nos cartazes. A vacina foi chamada no carro de som de "experimento socialista". Muitos manifestantes também não usavam máscara --item de proteção obrigatório durante a pandemia. Além de bandeiras do Brasil, algumas pessoas seguravam flâmulas de Israel e dos Estados Unidos, comuns nos protestos de direita. Nos últimos dias, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e Doria trocaram acusações acerca da obrigatoriedade de vacinação contra o coronavírus. Bolsonaro chamou o tucano de "lunático" e "autoritário" por ele ter defendido a obrigatoriedade da imunização contra a Covid-19."Tem um governador lá [em São Paulo] um tanto quanto autoritário, que até [quer] dar vacina na marra na galera. O que eu vejo na questão da pandemia? Está indo embora, isso já aconteceu, a gente vê livros de história", afirmou Bolsonaro nesta última sexta (30). O presidente também disse que a pandemia está acabando no Brasil. "Acho que [o Doria] quer vacinar o pessoal na marra rapidinho porque [a pandemia] vai acabar e daí ele fala: 'acabou por causa da minha vacina'. Quem está acabando é o governo dele, com toda certeza", disse Bolsonaro. O Brasil contabiliza 159.976 mortes por coronavírus, segundo o último levantamento de um consórcio de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde. A Coronavac, imunizante contra a Covid-19 criado pela empresa chinesa Sinovac e que será produzida no Brasil junto ao Instituto Butantan, mostrou-se segura em seu teste da fase 3 (a última antes da aprovação) em 50 mil voluntários na China. O presidente, no entanto, chegou a desautorizar um acordo do Ministério da Saúde com o estado de São Paulo para a compra de milhões de doses dessa vacina. Em outa ocasião, disse que a Coronavac não era confiável por conta de sua origem chinesa. No protesto deste domingo, os apoiadores de Bolsonaro, contrários também ao prefeito Bruno Covas, (PSDB), candidato à reeleição em São Paulo, se opuseram a possíveis novas medidas de restrição social. Países da Europa, como França, Alemanha e Reino Unidos, voltaram a implementar a restrição para conter uma segunda onda de contaminação e o colapso nos hospitais. "Temos que repudiar o lockdown. Fora Doria e fora Vachina", disse a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), sobre um carro de som levado pelo deputado estadual Douglas Garcia (PTB), um dos organizadores do ato. Com uma frase do movimento feminista usada para a defesa de causas como a legalização do aborto, a parlamentar gritou "nossos corpos, nossas regras"."Não tem ninguém negacionista aqui, mas não somos cobaias, nossos filhos e pais não são cobaias", disse. "Vem aí a tal da segunda onda, a Europa fechada, subjugada por ditadorezinhos", afirmou o youtuber de direita Allan Frutuoso, do Rio de Janeiro."Não se espantem se um novo lockdown entrar no Brasil", disse. Apesar do comércio e das escolas fechadas desde março, apenas algumas regiões do Brasil implementaram lockdown, medida que impede a circulação de pessoas nas ruas, por iniciativa de prefeitos. Outros dois caminhões de som foram estacionados na Paulista, todos em oposição a Doria e a Covas."Ninguém pode obrigar uma vacina. A segurança vem depois de anos, isso é uma agressão à liberdade individual", afirmou a candidata Marcia de Thuin (Patriota). "É um vírus mutante, vai demorar muito para termos segurança sobre a vacina", disse a manifestante Marcia Baskauskas, 65, acrescentando que não tomará a vacina mesmo se a eficácia for comprovada. Em recomendação recente, a OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou que os países precisam estar vigilantes porque segundas ondas de infecção "não são apenas possíveis, como altamente prováveis em qualquer lugar do mundo".