Grupo 'Awurê' promove roda e samba e sessão de filme neste feriado, em Madureira

Pedro Madeira

No idioma Iorubá, de origem africana, “Awurê” significa “desejar boa sorte’’. Aqui no Rio, sobretudo no subúrbio, o termo dá nome à roda de samba mensal que ocorre na Rua Pirapora, em Madureira. Criado em 2017 com o objetivo de resgatar a cultura africana, o grupo Awurê realiza amanhã, sexta-feira de Oxalá, às 16h, o evento “Avantes Filhos de Fé’’. 

Com uma programação que inclui a já tradicional batucada e a exibição do filme “Nosso Sagrado”, o encontro tem ingressos a R$ 15. Segundo a cantora e produtora cultural Fabíola Machado, o Awurê busca “reafricanizar” o samba:

— O gênero é um braço da continuidade negra. Então vamos fazer essa homenagem — diz Fabíola.

Segundo ela, realizar a roda em Madureira poupa os morada da região de se deslocarem para o Centro da cidade em busca de samba de qualidade. Montada embaixo de uma suntuosa mangueira, a roda, como conta Fabíola, se utiliza da árvore em cena para transmitir outra proposta do grupo: 

— Quando nós vimos aquela árvore, pensamos logo: “Vamos fazer desse lugar um terreiro”. Vamos iluminar a árvore, ela vai nos iluminar de maneira espiritual. E aí tocamos em outro ponto-chave da nossa mensagem: a liberdade religiosa — explica a produtora. 

Contemplando a pauta religiosa, o Awurê exibe o documentário “Nosso Sagrado” (2017), dirigido e escrito por Fernando Sousa e outros profissionais. A obra trata da perseguição contra a umbanda e o candomblé, criminalizados durante o período da Primeira República e da Era Vargas.

— Abordamos a intolerância religiosa a partir da história de uma coleção de objetos sagrados dessas religiões. Os artefatos foram apreendidos nessa época e expostos no Museu da Polícia Civil do Estado do Rio, na sessão de “magia negra” — destaca Sousa, alertando que as relíquias não estão mais expostas, mas os objetos ainda estão sob posse da Polícia Civil.