Grupo do Conselho Nacional do MP é invadido: 'Aqui é o hacker'

Suposto invasor utilizou número de celular de outro procurador para se manifestar no grupo do Conselho Nacional, no Telegram. (Foto: Getty Images)

Uma conversa do grupo do Conselho Nacional do Ministério Público, mantida no aplicativo Telegram, foi aparentemente invadida, na noite desta terça-feira (11). Através do número do celular de um dos conselheiros que integra o grupo, uma pessoa escreveu a mensagem: “aqui é o hacker”.

As informações são do jornal Correio Braziliense.

Utilizando o número de celular do conselheiro Marcelo Weitzel Rabello de Souza, o invasor escreveu que a divulgação das conversas mantidas entre o ex-juiz federal e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, e procuradores da Lava Jato - em especial, Deltan Dallagnol - era "uma amostra do que vocês vão ver na semana que vem".

No domingo (9), o site The Intercept Brasil publicou uma série de reportagens que indicam que o ministro, na época juiz federal, conduziu as investigações da Lava Jato. Moro sugeriu trocas de fases da Lava Jato e deu dicas informais a Dallagnol por mensagens do aplicativo Telegram. Os arquivos trazem históricos entre 2015 e 2017.

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A Constituição de 1988 estipula que o juiz não pode ter vínculos com as partes do processo judicial. Com a parte acusadora, neste caso o MP, não deve haver troca de informações ou atuação fora das audiências.

Após a mensagem alertando sobre a “amostra” do que estaria por vir, os colegas procuradores estranharam o tom dos torpedos vindos do número de celular de Marcelo Weitzel Rabello de Souza e começaram a questionar o conselheiro. Na sequência, receberam a mensagem: "Aqui é o hacker".

Segundo o Correio Braziliense, os conselheiros ligaram para Souza, que respondeu que não estaria usando o aparelho no momento dos envios das mensagens. Ele também nega que seja uma brincadeira dele com os colegas.

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A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, também pode ser uma das participantes desse grupo de Telegram do CNMP. A presidente do colegiado usa o chat de forma institucional, principalmente para divulgação de agenda. Procurada pelo Correio Braziliense, Dodge ainda não retornou.