Grupo consultivo da OMS pede dados "realistas" da China sobre Covid

Pessoas de máscara em rua de Xangai, na China

Por Jennifer Rigby

LONDRES (Reuters) - Cientistas de renome que assessoram a Organização Mundial da Saúde (OMS) disseram que querem uma "imagem mais realista" sobre a situação da Covid-19 pelos principais especialistas da China, em uma importante reunião nesta terça-feira, à medida que crescem as preocupações com a rápida disseminação do vírus.

A OMS convidou cientistas chineses para uma reunião virtual fechada com seu grupo técnico consultivo sobre evolução viral, nesta terça-feira, para apresentar dados sobre quais variantes estão circulando no país. O encontro não é aberto ao público ou à mídia.

A China suspendeu suas medidas rígidas contra Covid em dezembro de 2022. Os casos da doença agora estão aumentando, embora os dados oficiais sejam irregulares.

"Queremos ver uma imagem mais realista do que realmente está acontecendo", disse a professora Marion Koopmans, virologista holandesa que faz parte do comitê da OMS. Falando à Reuters antes da reunião, ela disse que alguns dos dados da China, como números de hospitalizações, "não são muito confiáveis".

"É do interesse da própria China apresentar informações mais confiáveis", disse.

O professor Tulio de Oliveira, um cientista sul-africano que também faz parte do comitê e cuja equipe detectou uma série de novas variantes, disse que "claro" que seria bom obter mais informações da China, mas isso também se aplica globalmente.

Até agora, os dados de sequenciamento da China fornecidos ao hub global Gisaid mostraram que as variantes que circulam lá são ramificações da Ômicron, em linha com as variantes dominantes no resto do mundo.

Koopmans e seus colegas esperam discutir informações semelhantes na reunião da OMS nesta terça-feira, com cientistas do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças.

No mês passado, a Reuters informou que a OMS não havia recebido dados da China sobre novas hospitalizações por Covid desde que Pequim suspendeu sua política de zero-Covid, levando alguns especialistas em saúde a questionar se o país poderia estar escondendo informações sobre a extensão de seu surto.

(Reportagem adicional de Emma Farge)