Grupo Corpo apresenta, pela primeira vez no Rio, o novo espetáculo 'Primavera'

Na semana em que uma frente fria derruba as temperaturas no Rio de Janeiro, numa prévia do inverno que se inicia na próxima terça-feira (21), 18 bailarinos do Grupo Corpo lançam um sopro de calor no Teatro Multiplan, na Barra. "Primavera", o novo espetáculo da cultuada companhia de dança — que ganha apresentações desta quarta (15) a domingo (19), após temporadas em São Paulo e Belo Horizonte — exalta a vida e a alegria a despeito do frio e da escuridão.

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O espetáculo com coreografia de Rodrigo Pederneiras é uma resposta colorida a um dos momentos mais difíceis enfrentados pela trupe. Há pouco mais de um ano, em meio a crescentes percalços financeiros — que reduziram pela metade os salários de toda a equipe — , o Corpo buscava maneiras de se manter de pé num dos períodos mais críticos da pandemia de Covid. Naquela época, para que o risco de contágio pela doença fosse menor, os bailarinos se dividiram em pequenos grupos, em três salas diferentes na sede da companhia, na capital mineira, para transformar em passos de dança o que parecia ser uma queda rumo ao desconhecido.

— A ideia era criar uma coisa “para cima” e que viesse com mais calor e cor naquele cenário tão cinza em que vivíamos — ressalta Pederneiras. — “Primavera” representa o renascer, o recomeçar. Estava tudo muito chato. A gente vinha de alguns problemas financeiros e ficou um período sem produzir nada... Então quisemos fazer algo que fosse o oposto do que estávamos passando, e que trouxesse um olhar mais gostoso para o futuro.

A coreografia é embalada por canções da dupla Palavra Cantada, com peças infantis de Paulo Tatit e Sandra Peres adaptadas para uma trilha instrumental que vai do jazz à percussão afro-brasileira. Ao longo de 36 minutos, trios de bailarinos apresentam cenas curtas em que apenas dançarinos casados se encostam (um vestígio dos tempos em que reinava a palavra “distanciamento”), enquanto a imagem de seus corpos são projetadas, em vídeo ao vivo, no fundo do palco.

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É, sim, como reconhece Pederneiras, uma linguagem completamente diferente do que costuma fazer o Corpo, quase sempre com vários bailarinos simultaneamente no tablado.

— Mas isso não tira a dimensão da alegria — reforça o coreógrafo. — E é legal porque se conhecem mais os bailarinos.

O espetáculo “Gira”, originalmente encenado em 2017, completa o programa como um bom contraste à nova obra. Ali, todos os bailarinos estão sempre no palco, a todo instante. A coreografia com trilha da banda Metá Metá se inspira em ritos da umbanda, com músicas que tomam Exu, o orixá que simboliza os caminhos e as encruzilhadas, como principal motivo poético.

— Criamos o “Gira” buscando elementos de certas entidades religiosas, mas sem utilizar a linguagem afro, o que seria muito óbvio — diz Pederneiras, que passou a frequentar terreiros de candomblé e umbanda, há cerca de cinco anos, em função de pesquisas para a coreografia. — Não conhecia nada, entrei ali para entender e hoje sou parte dessa religião.

Esta é a primeira vez, em mais de uma década, que o Grupo Corpo não estreia um espetáculo no Theatro Municipal, devido a dificuldades com a agenda do local, algo gerado pela pandemia. A expectativa é que o grupo volte a se apresentar por lá no segundo semestre deste ano. Mas o fato ainda não está confirmado.

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