Grupo da família de Jacob Barata vai fornecer maior parte de nova frota de articulados do BRT no Rio

A Guanabara Diesel, controlada pela família do empresário Jacob Barata, que também administra as principais empresas de ônibus que operam em forma de consórcios na cidade do Rio de Janeiro, arrematou a maior parte dos contratos para fornecer ônibus articulados para a nova frota de BRTs que a prefeitura está comprando para o sistema. Até março de 2024, o município vai pagar R$ 867 milhões ao Grupo Guanabara por 300 coletivos. A soma ficou bem acima dos contratos da Marco Polo, que fornecerá 190 coletivos por R$ 419,2 milhões.

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O levantamento foi feito pelo GLOBO com o término, na semana passada, das compras da nova frota.

Entre empresários do setor com quem O GLOBO conversou, o domínio do Grupo Guanabara não foi uma surpresa. O clã Barata, cujo patriarca é conhecido como o rei do ônibus, participou da licitação pela Guanabara Diesel, que é a maior revendedora de ônibus Mercedes-Benz do país. Além disso, tem facilidade de acesso a linhas de financiamento porque controla um banco.

O curioso no episódio é que, insatisfeita com a operação do BRT, a prefeitura interveio no sistema. Até o ano passado, a gestão do sistema era compartilhada por empresas que têm a concessão das linhas de ônibus, entre as quais várias do Grupo Guanabara.

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O plano da prefeitura agora é relicitar o sistema, fornecendo os coletivos. Mas enquanto isso não ocorre, opera o sistema pela Mobi-Rio, estatal criada para essa finalidade.

A Mobi-Rio, no entanto, precisa continuar com contratos com fornecedores para manter em circulação os coletivos sucateados enquanto os novos articulados adquiridos não entram em circulação. O curioso é que um deles é justamente a Guanabara Diesel. Em vigor desde março, prevê gastos de até R$ 1,6 milhão em peças de reposição.

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A Secretaria municipal de Transportes ressaltou que os coletivos foram adquiridos regularmente, por pregões eletrônicos abertos aos fornecedores seguindo regras da legislação de licitações.

— Nós dividimos as compras em lotes, abertos a todos os interessados. Cada lote correspondeu a um prazo de entrega, conforme nosso planejamento para recuperar o sistema — explicou a secretária de Transportes Maina Celidonio.

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No entanto, na maior parte dos casos, apenas uma empresa apresentou proposta. Ao todo, a prefeitura adquiriu 561 coletivos para o sistema por R$ 1,360 bilhão. Além dos 490 articulados para os corredores de BRTs Transoeste (Santa Cruz - Jardim Oceânico), Transcarioca (Terminal Alvorada - Aeroporto Internacional), Transolímpico (Recreio - Deodoro) e o futuro BRT Transbrasil (Caju - Deodoro), a Secretaria municipal de Transportes comprou também de outros dois fornecedores, a Transrio Caminhões e a Volkswagen, 72 coletivos do tipo padrão, para rodar no eixo da Avenida Cesário de Mello.

Em nota, o Grupo Guanabara informou que participou de três licitações da prefeitura para encomendas do BRT. "Nesses certames públicos, ganharam aqueles que apresentaram capacidade técnica e preço. E vai fornecer veículos para a prefeitura da mesma forma que outras empresas, vencedoras de outros lotes", diz o comunicado.

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Maina Celidonio acrescentou que os novos ônibus devem começar a rodar pelo corredor Transolímpico, como já havia sido anunciado, a partir da segunda quinzena de novembro. A frota em operação no Transolímpico será remanejada para os outros corredores, que ainda passam por obras de reconstrução (TransOeste) e de manutenção (Transcarioca).