“Grupo de WhatsApp virou organização criminosa”, ironiza Flávio Bolsonaro sobre decisão de Moraes

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Filho de Jair Bolsonaro, Flavio Bolsonaro, ao centro, posa para fotos com apoiadores
Flavio Bolsonaro critica decisão de Alexandre de Moraes de investigar organização criminosa contra democracia (AP Photo/Silvia Izquierdo)
  • Senador Flávio Bolsonaro criticou decisão do ministro Alexandre de Moraes de abrir investigação sobre organização criminosa digital

  • Segundo Moraes, esse grupo tem como finalidade "atentar contra a Democracia e o Estado de Direito"

  • “Grupo de WhatsApp virou organização criminosa”, ironizou Flávio Bolsonaro nas redes sociais

Nas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ) criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que arquivou o inquérito para investigar atos antidemocráticos ocorridos em 2020 e abriu uma nova investigação para verificar a existência de uma organização criminosa digital que atenta contra a democracia.

“Lamento profundamente a instauração de novo inquérito de “Fake News” pelo min Alexandre de Morais. Mobilização política para combater a oposição ao governo Bolsonaro foi transformada em “ataque à democracia”. Grupo de WhatsApp virou “organização criminosa”. Surreal (sic)”, escreveu na quinta-feira (1º).

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De acordo com a decisão do ministro, o novo inquérito vai analisar “a presença de fortes indícios e significativas provas apontando a existência de uma verdadeira organização criminosa, de forte atuação digital e com núcleos de produção, publicação, financiamento e político absolutamente semelhante àqueles identificados no Inquérito 4.781, coma nítida finalidade de atentar contra a Democracia e o Estado de Direito”.

Nessa nova frente, a Polícia Federal vai aprofundar a apuração em torno de grupos organizados em prol de ataques contra a democracia. 

Esses grupos, segundo Moraes, podem ter contado com apoio de agentes públicos e deputados bolsonaristas, como Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, Bia Kicis, presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, e Daniel Silveira, réu por ataques ao STF, além do assessor especial da presidência Tércio Arnaud. O blogueiro Allan dos Santos, dono do portal Terça Livre, também é citado como possível integrante.

“Observa-se, de forma comum aos dois inquéritos, a existência de grupos coordenados que utilizam, de forma recorrente, redes sociais e mídias alternativas como instrumentos para a concretização de atos de disseminação de notícias fraudulentas para atacar membros do Supremo Tribunal Federal e outras autoridades constituídas, para a promoção de ataques às próprias Instituições Democráticas de representação política e social do Brasil, especialmente quanto à legitimidade do Poder Legislativo. Além do uso de meios comuns para a realização dos ataques, observa-se parcial identidade dos sujeitos investigados”, escreveu Moraes ao determinar a investigação.

Ministro Alexandre de Moraes durante sessão do STF (Rosinei Coutinho/SCO/STF)
Ministro Alexandre de Moraes durante sessão do STF (Rosinei Coutinho/SCO/STF)

Em sua live semanal na quinta, o presidente Jair Bolsonaro também atacou o Supremo Tribunal Federal. "Será que é um troco porque falei de voto auditável hoje de manhã?", provocou.

Investigações

Apesar de pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para arquivamento do inquérito de atos antidemocráticos, a Polícia Federal pediu à PGR em janeiro novas diligências e indicou pelo menos seis linhas adicionais de investigação no relatório parcial.

Investigações apontam suspeita de "rachadinha" em gabinete de deputados bolsonaristas, uso de verba federal para financiamento dos atos e de recursos do exterior.

Um relatório parcial da PF, enviado à PGR no início do ano, mostra que a corporação diz ter encontrado indícios de que apoiadores e parlamentares bolsonaristas discutiram ações para a propagação de discursos de ódio e a favor do rompimento institucional.

No documento, a Polícia Federal indica uma série de linhas para o aprofundamento das investigações. Essas sugestões incluem:

  • apurar uma suposta articulação para evitar que um sócio do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos fosse chamado para depor à CPI das Fake News;

  • conferir se houve direcionamento de verbas do governo federal para sites e canais bolsonaristas;

  • investigar repasses a uma empresa de tecnologista ligada à publicidade do Aliança pelo Brasil (partido que Jair Bolsonaro tentou fundar) e que também prestou serviço para parlamentares governistas;

  • apurar valores repassados por servidores públicos ao blogueiro Allan dos Santos, incluindo uma funcionária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES);

  • investigar a existência de um braço estrangeiro de financiamento dos atos antidemocráticos, contando com um acordo de cooperação internacional com o Canadá;

  • aprofundar investigações sobre uma possível "rachadinha" em gabinetes de deputados governistas na Câmara dos Deputados, com o redirecionamento das verbas para o financiamento dos atos antidemocráticos.

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