Grupo de empresário preso hoje tentou expandir negócios com hospital de campanha

Juliana Castro e Vera Araújo

RIO - O Ministério Público Federal (MPF) aponta que o grupo do empresário Mário Peixoto, preso na operação Favorito, deflagrada nesta quinta-feira, buscou usar a pandemia do novo coronavírus para expandir seus negócios. Os procuradores dizem que foram encontrados indícios que indicam para a movimentação daorganização criminosa em relação a contratos para a instalação de hospitais decampanha. Na ação desta quinta, foi preso também o ex-presidente da Assembleia Legislativado Rio Paulo Melo.

A Polícia Federal (PF) e o MPF, por pouco, não teriam conhecimento de que o esquema de fraudes na saúde com envolvimento em Organizações Sociais (OSs) estava a pleno vapor durante a pandemia. Foi justamente por causa da expansão da Covid-19, que os investigadores tiveram que adiar a operação, antes marcada para o início de 10 de março. Os mandados de prisão dos acusados e de busca e apreensão já estavam em mãos para cumprimento, mas, com o agravamento da crise do novo coronavírus, foi preciso aguardar. Os dois meses foram imprescindíveis para que os policiais e procuradores, por meio das interceptações telefônicas que prosseguiram, descobrissem que o esquema dos envolvidos não só continuaram como se expandiram para os hospitais de campanha que estavam sendo montados. As quebras telemáticas também foram mantidas e trouxeram mais informações sobre a fraude montada pela organização criminosa.Segundo o Ministério Público Federal, "assim, com o prosseguimento das interceptações telefônicas e telemáticas, foi possível colher provas de que a organização criminosa persistiu com as práticas criminosas mesmo durante o agravamento da pandemia, inclusive se valendo da situação de calamidade que autoriza a contratação emergencial e sem licitação para obter contratos de forma ilícita com o poder público". Os envolvidos, de acordo com as escutas, destruíram provas e faziam ações de contrainteligência, nos meses de março e abril.

A investigação da força-tarefa da Lava-Jato no Rio afirma que mensagens localizadas na caixa de e-mails de Alessandro Duarte (apontado como um dos responsáveis por fazer a intermediação entre as empresas do grupofamiliar de Mario Peixoto e os operadores financeiros dos agentes públicos) enviadas nos últimos dias indicam que aorganização criminosa pode estar expandindo sua influência para contratos daOrganização Social IABAS. A OS foi contratada pelo governo do estado para a administração de hospitais de campanha para tratamento de infectadospelo COVID-19 por valor de cerca de R$ 850 milhões.

Além disso, o MPF aponta uma possível irregularidade na compra de álcool em gel para a Marinha do Brasil.