Grupo de empresários comprou vacinas por conta própria e tomou escondido, diz revista

O GLOBO
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RIO — Reportagem da revista Piauí publicada nesta quinta afirma que um grupo de políticos e empresários, além de seus familiares, tomou nesta terça-feira a primeira dose da vacina da Pfizer contra a Covid-19 que eles teriam comprado sem repassar ao SUS. As duas doses custaram R$ 600 a cada pessoa.

O grupo é formado principalmente por pessoas ligadas ao setor de transporte de Minas Gerais. Ainda de acordo com a reportagem, pessoas que foram vacinadas afirmaram que os irmãos Rômulo e Robson Lessa, donos da viação Saritur, organizaram a imunização do grupo. Uma garagem de uma empresa do grupo foi improvisada como posto de vacinação.

No começo de março, o Congresso aprovou uma lei que autoriza a compra de vacinas pela iniciativa privada. No entanto, elas precisam ser repassadas ao SUS até que os grupos de risco — compostos de idosos e pessoas com comorbidades, o que reúne 77,2 milhões de brasileiros, de acordo com o Ministério da Saúde — tenham sido plenamente imunizados no país.

Esse patamar ainda não foi atingido. No entanto, mesmo depois da imunização dos grupos prioritários, as vacinas compradas pela iniciativa privada devem ser divididas meio a meio com o SUS, numa operação fiscalizada pelo ministério.

O projeto é de autoria do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Segundo a reportagem da Piauí, a família do político é do ramo dos transportes em Minas Gerais. Procurado pela revista, ele respondeu que desconhece a imunização do grupo mineiro.

De acordo com a Piauí, o deputado estadual de Minas Alencar da Silveira (PDT) também foi vacinado, conforme relatos de pessoas presentes. Ele, no entanto, negou a informação quando foi procurado. De acordo com relatos feitos à reportagem, o grupo foi vacinado por uma enfermeira que atrasou porque estava imunizando outro grupo na Belgo Mineira, uma mineradora da região.