Grupo Globo aposta na inteligência artificial em transmissão esportiva

RIO - As transmissões esportivas em plataformas do Grupo Globo vão se multiplicar com a ajuda da inteligência artificial. O grupo anuncia nesta quarta a entrada no capital da empresa de tecnologia israelense Pixellot, especializada em filmagem esportiva automatizada. A ideia é incrementar a cobertura existente e diversificar as categorias e modalidades mostradas hoje no Brasil.

O negócio inclui um aporte de R$ 13 milhões na Pixellot e prevê a instalação de sistemas não tripulados de câmeras em estádios e centros esportivos do país. Com a ajuda de um equipamento fixo que mostra ângulos adicionais, o serviço cobre todo o campo e fornece uma espécie de imagem panorâmica costurada.

A tecnologia automatiza a operação do local da partida até a tela do espectador. Ao combinar hardware e software, o sistema captura imagens ao vivo, enquanto algoritmos de autoprodução monitoram o fluxo da partida. Isso permite atualizar o placar, identificar as jogadas mais importantes e inserir anúncios sem qualquer intervenção humana. Depois, a Pixellot disponibiliza a filmagem da partida na internet e em plataformas para acesso via dispositivos móveis.

‘Revolução em eventos’

A iniciativa está em linha com a diretriz do Grupo Globo de diversificar a oferta de conteúdos esportivos antes não disponíveis ao público brasileiro. A nova tecnologia alimentará outras plataformas de distribuição, além da televisão.

— A Globo vai ser capaz de produzir para novas verticais de conteúdos esportivos e incrementará a cobertura da paixão nacional, que é o futebol. A ampliação contemplará campeonatos e competições masculinas e femininas, bem como eventos semiprofissionais e outros esportes segmentados — afirma Roberto Marinho Neto, diretor da Divisão de Esportes do Grupo Globo.

Ele conta que foram analisadas outras tecnologias do tipo, mas que a da Pixellot atende à necessidade de trabalho em escala do grupo e tem um portfólio de produtos mais adequado à cadeia de valor da Globo.

De acordo com o CEO do Grupo Globo, Jorge Nóbrega, o investimento é mais um passo da estratégia para transformar a Globo em uma “empresa mediatech”, com uso de tecnologias capazes de aumentar sua capacidade de produção e distribuição de conteúdo.

— A inteligência artificial aplicada à visão computacional pode significar uma revolução em eventos esportivos, e a Globo quer ser uma das empresas pioneiras nisso — diz Nóbrega.

Em seu site, a Pixellot informa ter mais de 5 mil sistemas implantados em todo o mundo. Seus investidores incluem Shamrock Capital, Firstime, Baidu e Asahi Broadcasting Company. O CEO da Pixellot, Alon Werber, comemorou a parceria com o Grupo Globo, que consolida a entrada da empresa na América Latina:

— O mercado brasileiro tem milhões de apaixonados por todo tipo de esporte. A visão do Grupo Globo de ser pioneiro na revolução tecnológica da cobertura esportiva vai resultar em maior procura por serviços pelos espectadores e permitirá que a empresa rentabilize todos os segmentos esportivos.

O Grupo Globo detém no Brasil os direitos de transmissão de importantes competições nacionais e internacionais, como Copa do Mundo, Jogos Olímpicos, Brasileirão e Superliga de Vôlei.