Grupo de homens armados mata mais de 140 pessoas na Nigéria, denunciam habitantes

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Chinelos que pertenciam a estudantes sequestrados por grupos armados no noroeste da Nigéria. Desde dezembro, mais de mil alunos foram levados por grupos armados no país (AFP/Kola Sulaimon) (Kola Sulaimon)

Quatro moradores do noroeste da Nigéria afirmaram neste sábado (8) à AFP que homens armados, conhecidos localmente como "bandidos", mataram ao menos 140 pessoas em vários ataques esta semana, fato ainda não confirmado pelas autoridades.

O centro e o noroeste da Nigéria são há anos bases de gangues criminosas que atacam aldeias, assassinam ou realizam sequestros para pedir resgates.

"Enterramos um total de 143 pessoas assassinadas pelos bandidos nesses ataques", disse uma das quatro fontes, Balarabe Alhaji, líder comunitario de uma das cidades afetadas no estado de Zamfara.

Centenas de homens armados em motos invadiram quase dez cidades dos distritos de Anka e Bukkuyum, entre quarta e quinta-feira, atirando nos moradores, saqueando e incendiando casas, segundo habitantes locais.

As autoridades do governo ainda não comentaram esses ataques.

Babandi Hamidu, morador da cidade de Kurfa Danya confirmou os ataques e explicou que "mais de 140 pessoas foram enterradas nas dez cidades" e que continuam "procurando corpos, porque há muita gente desaparecida".

Idi Musa, moradora de outra cidade, Kurfa Danya, disse que "o saldo de mortos é enorme". "Há cerca de 150 pessoas assassinadas pelos bandidos".

Segundo Musa, os bandidos "roubaram cerca de 2.000 cabeças de gado".

Outro morador, que forneceu apenas o primeiro nome, Babangida, mencionou um balanço parecido.

Todas as fontes relataram ter comparecido a funerais em suas respectivas aldeias.

Nos boletins oficiais, o governo descreve os ataques perpetrados por grupos de homens armados como 'atos terroristas'.

"Nós os classificamos como terroristas (...) e os trataremos como tal", disse o presidente nigeriano, Muhammudu Buhari, em um anúncio na televisão esta semana.

Por mais de uma década, o ex-general veterano também enfrenta uma insurreição jihadista no nordeste do país.

No ano passado, os "bandidos" chegaram às manchetes internacionais com uma série de sequestros de centenas de alunos de suas escolas ou faculdades.

Muitos foram libertados posteriormente, mas alguns permanecem nas mãos de seus captores.

As operações policiais e militares estão se multiplicando no noroeste dessaa populosa nação petrolífera africana.

As forças armadas nigerianas relataram esta semana ter matado 537 "bandidos armados e outros elementos criminosos" e o processo de 374 detenções desde maio do ano passado, além da libertação de 452 "civis sequestrados".

O grupo liderado por um dos mais notórios "bandidos", Bello Turji, sofreu duras baixas no mês passado em ataques aéreos contra suas bases em áreas de selva.

De acordo com o analista Kabir Adamu, da Beacon Consulting Nigeria, os assassinatos relatados por residentes podem ser uma resposta a essas operações policiais e militares.

“Muitos [bandidos] que, furiosos com as baixas sofridas, decidiram se mudar para outras áreas, poderiam ter realizado esses ataques durante suas viagens”, disse Adamu à AFP.

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