Grupo da Universidade Metodista quer vender imóveis em SP, RJ, MG e PA para pagar dívidas de R$ 500 milhões

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SÃO PAULO - Sindicatos de professores funcionários grupo Educação Metodista, dono de 17 instituições de ensino entre as quais estão a Universidade Metodista de São Paulo e a Universidade Metodista de Piracicaba, criticam o plano de recuperação judicial apresentado pelo conglomerado na última sexta-feira.

O grupo, que está em recuperação judicial oficialmente desde maio, apresentou um plano de recuperação judicial que prevê leilões de 16 imóveis em quatro estados para o pagamento de suas dívidas. O passivo listado na recuperação judicial supera os R$ 500 milhões.

Segundo o grupo, a proposta formulada garante que 90% dos credores trabalhistas recebam o valor integral de seus créditos. O plano, no entanto, prevê parcelamentos na maior parte dos casos e o reajuste previsto na dívida, na prática, corrói o valor dos créditos, devido à inflação.

O plano deverá ser submetido a uma assembleia dos credores da Metodista, em sua maioria formados por empregados e ex-funcionários do grupo. O conglomerado tem hoje 19 mil alunos, a maioria no ensino superior. Em 2015, eram 57,7 mil.

A Educação Metodista já está com o patrimônio blindado desde abril, quando obteve uma cautelar antecedente na Justiça do Rio Grande do Sul, onde também tem operações.

Pelo plano de recuperação apresentado pela empresa na última sexta, apenas quem tem créditos trabalhistas de até cinco salários mínimos (o equivalente a R$ 5.500) receberá integralmente em 30 dias após a eventual homologação do plano.

Os trabalhadores que tiverem a receber mais de R$ 5.500 e menos de R$ 50 mil receberão o valor sem ágio, mas com pagamento em até três anos após a homologação do plano de recuperação.

Nesse período, o reajuste do valor será calculado com base na taxa referencial (a TR, zerada desde 2017) e mais 3% de juros ao ano. A previsão de reajuste é a mesma para todos demais credores da instituição de ensino.

Quem tiver mais de R$ 50 mil em dívidas trabalhistas a receber teria deságios escalonados que se iniciam em 30% e chegam a 70% nos casos de créditos superiores a R$ 165 mil.

- Nosso prazo de pagamento está em até 36 meses (para a maioria), mas a nossa intenção é conseguir desmobilizar os imóveis no menor tempo possível para que possamos pagar a dívida. O prazo é para, se por ventura alguma desmobilização sair fora do previsto, termos margem de segurança para não descumprir o plano - afirma Maurício Trindade, diretor financeiro da Educação Metodista.

Venda de imóveis

Segundo Trindade, a empresa vai negociar com sindicatos eventuais ajustes ao plano. Ao todo, de acordo com Trindade, o grupo vai leiloar 16 imóveis. A estimativa do grupo, que tem como base laudos de solo, é de que o valor dos ativos supere R$ 445 milhões.

- Os ativos principais estão no Rio Grande do Sul, em que um único imóvel tem valor do terreno estimado em R$ 70 milhões e potencial de VGV (Valor Geral de Venda) de até R$ 230 milhões. Vamos desmobilizar ativos em Porto Alegre, Santa Maria e Passo Fundo - afirma Trindade.

No estado de São Paulo, vão a leilão o campus Vergueiro da Universidade Metodista da São Paulo, em São Bernardo do Campo, e o campus da Universidade Metodista de Piracicaba em Santa Bárbara D'Oeste, ambos já desativados entre 2020 e o início deste ano.

No Rio de Janeiro, está prevista a venda de lotes localizados na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca. Há ainda imóveis em Belo Horizonte, Juiz de Fora, Nova Lima (MG) e Altamira (PA).

Para o advogado da Metodista no processo de recuperação judicial, Luiz Roberto Ayoub, sócio do escritório Galdino & Coelho, o plano pode sofrer ajustes a depender da negociação com credores.

- O grande imbróglio é o passivo trabalhista, mas o grau de tensão (nas negociações) deve ser baixo porque a maioria dos trabalhadores estão contemplados pela proposta. Os credores podem concordar com o plano ao assinar um termo de adesão e, se houver objeção, haverá uma assembleia - afirma ele.

Para a presidente do Sindicato dos Professores de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul (Sinpro-ABC), Edilene Arjoni, a proposta da Metodista é "bem ruim".

- O pagamento integral é aó para quem tem dívidas pequenas, e o parcelamento em 36 meses é feito sem juros, sem correção monetária e sem garantias. A nossa impressão é bem ruim - diz ela. A entidade representa os docentes da Universidade Metodista de São Paulo, a principal operação do grupo.

Arjoni afirma, ainda, que o grupo educacional já descumpriu acordos e decisões judiciais para pagar salários ou não demitir docentes.

- A crise da Metodista vem de 2015, quando pararam de depositar o FGTS dos funcionários. A partir de 2017, começou a atrasar salários. Hoje, só recebem integralmente e na data correta os que têm remunerações mais baixas, até R$ 5.000 - conta ela.

Demais credores

O plano de recuperação da Metodiata prevê deságios para todos os credores não trabalhistas.

Para os que têm garantias, o plano apresenta duas opções, ambas com descontos sobre os valores das dívidas. A primeira opção prevê corte de 30% do crédito e pagamento em até 10 anos. A segunda atrela o valor do crédito a um fundo de investimento cujo patrimônio e um dos imóveis do grupo, que seria vendido.

Os credores sem garantias reais (quirografários) receberiam até R$ 50 mil em até 10 anos depois da homologação do plano, também com o regime de correção proposto para os trabalhistas. Os que tiverem créditos acima desse valor e menor que R$ 350 mil teriam deságio de 80% e pagamento também previsto para acontecer em até 10 anos.

Para as pequenas e médias empresas, a Metodista propõe pagar R$ 2.000 em até dois anos depois da homologação do plano. Créditos acima desse montante teriam deságio de 50%.

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