Grupo miliciano rival começa a ocupar território que era dominado por Ecko na Zona Oeste do Rio, relatam moradores

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Dois dias após a morte do principal chefe da milícia no Rio, Wellington da Silva Braga, o Ecko, no sábado, a guerra pelo espólio e posto de ser a nova liderança da organização criminosa já começou. O miliciano Danilo Dias Lima, o Tandera, que rompeu aliança com Ecko em dezembro, já teria começado a invadir o território que estava sendo controlado pelo rival. A Polícia Civil investiga a informação. Nas últimas horas, moradores já começaram a relatar a presença de paramilitares em vários bairros da Zona Oeste.

Segundo moradores, entre a noite de domingo e a madrugada de hoje, dezenas de homens encapuzados invadiram a comunidade de Manguariba, em Paciência, na Zona Oeste do Rio, fortemente armados com fuzis. Os investigadores apuram essa informação.

A polícia trabalha com três cenários: o primeiro é Tandera tentar retomar o território, já que a área foi rachada no ano passado. O segundo cenário é a maior facção criminosa tentar invadir, já que a região era originalmente deles, e a última hipótese é a própria milícia se organizar e tentar fazer uma escolha de um sucessor para Ecko.

— Já havíamos pontuado esses três cenários. Inclusive, o Tandera poderia até invadir esses locais que ele perdeu. Esses cenários estão em aberto. A inteligência apura todos os vídeos e queremos saber onde e quando foram gravados — afirmou Willian Pena Júnior, delegado titular da Delegacia de Repressão as Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco).

Os investigadores apuram se Toni Ângelo teria se unido com Tandera para tentar retomar as áreas de Ecko. Em agosto do ano passado o irmão de Toni Ângelo foi executado em Belford Roxo. Os policiais afirmaram que a ordem partiu de Ecko.

— Neste momento não descartamos nenhuma possibilidade. Embora essa do Toni seja a mais remota. Mas levamos em consideração — disse Pena Júnior.

O delegado desmentiu que houve interceptação telefônica nessa ação. No sábado, o MP informou que os investigadores só chegaram ao criminoso através de escutas autorizadas pela Justiça.

— Essa investigação não contou com interceptação telefônica porque sabíamos que ele não falava por telefone. O que é certo é: não houve escuta nenhuma. Não podemos revelar como chegamos a ele, mas uma coisa é certa: não houve interceptação.

O delegado acrescentou:

— Um tipo de criminoso desse não pode servir de exemplo. Não podemos permitir que um criminoso tenha uma vida mais digna que um trabalhador que pega BRT lotado todo dia. Temos que mostrar que o crime não compensa.

Caderno de empréstimo de fuzis

Na casa de Ecko os investigadores encontraram um bloco de anotações com descrições de empréstimo de fuzis para vários bairros do Rio. Os investigadores analisam o telefone encontrado na casa do banidos.

— As apreensões mostram o quanto de fuzil que ele tinha e o poderio bélico que ele detinha em diversos bairros do Rio e da Baixada. Identificamos que ele emprestava cerca de 100 fuzis para diversos bairros do Rio. Santa Maria, na Taquara; Gardênia Azul; Estrada do Campinho, em Campo Grande; uma localidade de Belford Roxo e uma região de Mesquita — disse Pena Júnior.

— Essas anotações estão sendo analisadas pela Draco. Ali existia um controle de armamentos que ele emprestava. Estamos identificamos os criminosos que arrendaram o material. Alguns estão sendo investigados. Um conhecido como Bundão, tinha a sua disposição oito fuzis e 22 carregadores. Essa é a dimensão dele — completou o delegado.

— Estamos quebrando o telefone dele e esperamos encontram muita coisa.

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