Grupo opositor cubano denuncia repressão e estende protestos até 27 de novembro

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Policiais caminham perto do Capitólio de Havana em 15 de novembro de 2021 (AFP/YAMIL LAGE)

O grupo de oposição Arquipélago denunciou nesta terça-feira (16) que a “extrema militarização das ruas” e o bloqueio de mais de 100 ativistas em Cuba impediram a marcha planejada para a véspera, portanto, as ações de protesto serão estendidas até 27 de novembro.

O governo respondeu com uma "militarização extrema das ruas, mais de 100 ativistas sitiados, prisões arbitrárias, desaparecimentos forçados, atos de repúdio, violência, ameaças, coerção e discurso de ódio", diz um comunicado enviado à AFP pelo grupo de debate político, que organizou a frustrada manifestação de segunda-feira, 15 de novembro.

Com 30 mil membros dentro e fora da ilha, o Arquipélago tinha convocado a passeata pela libertação dos presos políticos, pelos direitos dos cidadãos e pela democracia, apesar de as autoridades terem proibido esse protesto e alertado para sanções penais.

“O ressurgimento da repressão contra cidadãos e manifestantes pacíficos não é e não será aceito”, diz a nota, que chama a continuidade das ações. O grupo pede a seus seguidores que vistam branco e usem rosas brancas como emblemas, façam vídeos individuais e participem de um "panelaço" à noite.

Na segunda-feira, foram detidos ao menos o opositor de linha moderada Manuel Cuesta Morua; a líder do movimento dissidente Damas de Branco, Berta Soler, e seu marido, o ex-político Ángel Moya. Os três foram libertados na madrugada, segundo informaram à AFP o próprio Cuesta e a opositora Martha Beatriz Roque.

De acordo com Roque, pelo menos sete dissidentes ainda estão presos nas províncias de Matanzas (oeste) e Cienfuegos (centro). Além disso, foram presos a historiadora Carolina Barrero, impedida de deixar sua casa há 200 dias, e Guillermo Fariñas, detido desde sexta-feira na cidade de Santa Clara.

A casa do fundador do Arquipélago, o dramaturgo Yunior García, de 39 anos, seguia vigiada pela polícia na segunda-feira, depois de ele ter sido impedido no domingo de fazer uma marcha solitária por uma importante avenida de Havana. Até esta terça-feira, não havia mensagens suas nas redes sociais e a imprensa não havia conseguido contactá-lo.

O dia 27 de novembro marca o primeiro aniversário da manifestação de mais de 300 jovens artistas em frente ao Ministério da Cultura de Cuba, reivindicando a liberdade de expressão.

O grupo continua a exigir que “todos os presos políticos sejam libertados”, liberdade de expressão e direito de reunião, o fim dos atos de repúdio e “todo tipo de violência por motivos políticos”.

A convocação surgiu após as históricas manifestações que eclodiram espontaneamente em 11 de julho sob gritos de "Liberdade" e "Estamos com fome", resultando em uma morte, dezenas de feridos e 1.270 detidos, dos quais 658 ainda estão presos, segundo a ONG de direitos humanos Cubalex.

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