Grupo protesta contra juíza que determinou revogação de decreto para flexibilização em Minas

FERNANDA CANOFRE

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Um grupo de manifestantes em Itajubá (a 447 km de Belo Horizonte) cercou a casa da juíza que determinou multa de R$ 10 mil ao prefeito da cidade, caso não revogasse os decretos que permitiam o retorno de academias, bares, parque e igrejas. A informação foi publicada no site G1.

A decisão de segunda-feira (11) deu ao prefeito prazo de 24 horas para a revogação. A juíza Letícia Drumond, da 2ª Vara da Comarca da cidade, ressalta na decisão "a gravidade da doença COVID-19 e da alta transmissibilidade apresentada pelo coronavírus no Brasil".

O protesto ocorreu na quarta-feira (13) e passou pelo Ministério Público e pelo Fórum Cível da cidade, como registram vídeos que circulam nas redes sociais. Os manifestantes aparecem próximos uns dos outros, a maioria usando máscaras.

Em um dos vídeos, um homem de camisa azul, afirma: "O interesse da população é essa flexibilização. Para quem está confortável, é muito fácil ficar em casa de pijama e de chinelo, mas quem tem que ganhar o pão de cada dia, aí é diferente".

Um vereador foi identificado entre os manifestantes. Em nota, a Câmara Municipal diz que não tinha representantes legais no ato e que tomou conhecimento da participação do parlamentar por meio de imagens das redes sociais. "Entendemos que foi um ato isolado dele como cidadão. E não temos conhecimento da participação de outro vereador".

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais publicou uma nota repudiando os ataques à juíza e diz que está tomando providências para preservar a integridade dela e de outros magistrados.

"Se, por um lado, é compreensível a tensão pública existente em todo o país em função da pandemia do coronavírus, por outro é inadmissível que atos como os realizados em Itajubá sejam utilizados como instrumentos de pressão contra a autoridade judiciária, que deve ser respeitada", diz o texto assinado pelo presidente do TJMG, Nelson Missias de Morais.

Os decretos assinados por Rodrigo Riera (MDB) autorizavam, sob condições, o funcionamento de igrejas e templos, academias, centros de ginástica e estabelecimentos do tipo, além de bares, restaurantes, lanchonetes e similares e a reabertura de parque.

As determinações foram suspensas temporariamente pelo prefeito, em publicação no Diário Oficial nesta quinta-feira. Segundo o boletim da Secretaria Estadual de Saúde, Itajubá tem 13 casos confirmados e uma morte. O município tem cerca de 96 mil habitantes.