Grupo protesta contra supostos abusos cometidos pela Polícia Civil na cracolândia

SÃO PAULO, SP, 06.11.2022 -  A Craco Resiste realiza ato para denunciar violações de direitos de dependentes químicos praticadas pela Polícia Civil, em São Paulo.  (Foto: Ronny Santos/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 06.11.2022 - A Craco Resiste realiza ato para denunciar violações de direitos de dependentes químicos praticadas pela Polícia Civil, em São Paulo. (Foto: Ronny Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um grupo de ativistas protestou na tarde deste domingo (6), em ruas do centro de São Paulo, contra supostos abusos cometidos pela Polícia Civil durante ações na cracolândia.

Cerca de 50 pessoas, incluindo integrantes do coletivo Craco Resiste, movimento social que atua na região, percorreram um trecho do elevado João Goulart, o Minhocão, até o 77° DP (Santa Cecília), onde acenderam velas e estenderam faixas. O vereador Eduardo Suplicy (PT) participou do final do ato.

Antes de chegarem à delegacia, os manifestantes passaram em meio ao 'fluxo', como é conhecido o local onde há concentração de usuários de drogas, fixado atualmente na rua Helvétia, no bairro Campos Elíseos. Dependentes químicos do local aplaudiram a marcha, que contou com capoeiristas.

"Não dá para naturalizar a tortura [cometida] no centro. Nós estamos falando de pessoas que ficaram horas no chão molhado, tomando chuva, em um 'enquadro' de rotina", afirmou a antropóloga Roberta Costa, 37.

O grupo também afirma que as operações policiais têm esvaziado a atuação de outros ativistas e projetos da sociedade civil. A Defensoria Pública do Estado de São Paulo tem ido à região para colher relatos de usuários sobre supostos abusos e violações de direitos humanos.

Em nota, a Polícia Civil defendeu as ações da Operação Caronte na cracolândia.

"Todo o trabalho policial é acompanhado pelo Ministério Público e conta com anuência do Poder Judiciário. A ação policial conta com apoio da Assistência Social e da Saúde da prefeitura", diz o texto.

Incomodados com o protesto, um grupo de moradores do entorno da cracolândia resolveu ir até a delegacia manifestar apoio à continuidade das ações da Polícia Civil. Ao chegar, porém, o grupo anterior já havia ido embora.

Também em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou que, desde o início da operação, 555 usuários, sendo 13 adolescentes, foram conduzidos à delegacia por uso de entorpecentes, sendo elaborados termos circunstanciados e os mesmos encaminhados aos órgãos de assistência social e saúde ou liberados, conforme decisão própria.

"A Corregedoria da Polícia Civil obtém conhecimento dos fatos, que são apurados por meio de procedimentos para esclarecer os possíveis conflitos entre agentes e usuários de drogas na região central de São Paulo", diz a SSP.

À Folha, o delegado Severino Vasconcelos, chefe da ação, disse que as ações na cracolândia são todas investigadas, e que convive com provocações por parte das pessoas contrárias ao trabalho no local.

A operação policial na cracolândia teve início em maio deste ano. Desde então, moradores e comerciantes da região se queixam da dispersão de usuários de drogas e do aumento da sensação de insegurança.