Grupo de Puebla começa na Argentina com exibição de vídeo de Lula

SYLVIA COLOMBO
***FOTO DE ARQUIVO*** BUENOS AIRES, AR - 27.10.2019 - O candidato presidencial peronista Alberto Fernández e a ex-presidente Cristina Fernández se dirigem aos apoiadores depois que o atual presidente Mauricio Macri concedeu a derrota no final do dia das eleições em Buenos Aires, Argentina, domingo, 27 de outubro de 2019. (Foto: Mario De Fina /Fotoarena/Folhapress)

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O encontro do Grupo de Puebla, na manhã deste sábado (9), em Buenos Aires, começou com a exibição de um vídeo gravado pelo ex-presidente Lula. O ex-presidente cumprimentou os líderes de esquerda reunidos na capital argentina e disse que "tem o objetivo de construir uma grande América Latina" e que quer trabalhar com os líderes progressistas.

Na gravação, Lula também mandou parabéns aos recém-eleitos Alberto Fernández e Cristina Kirchner como presidente e vice da Argentina. E afirmou: "Finalmente estou livre. Sei que Fernández pode ajudar ao povo pobre da Argentina e me solidarizo com Evo Morales, que está sofrendo uma canalhice na Bolívia."

Acrescentou, também, que está "com muita energia para combater o lado podre do poder judicial, o lado podre da elite conservadora e o lado podre da imprensa do Brasil." Ao final, dirigiu-se a Alberto Fernández dizendo: "Quando vi que você tinha ganho, eu senti como se eu tivesse ganho".

Já o presidente eleito argentino falou logo na sequência, dizendo que, quando foi visitar Lula na prisão em Curitiba o brasileiro disse: "Você tem que ganhar. E não me disse uma vez, me disse duas, três vezes. Então, Lula, eu ganhei", disse Fernández, com aplausos da plateia.

Fernández também afirmou que os problemas recentes entre Brasil e Argentina, por conta de provocações mútuas entre ele e o presidente Jair Bolsonaro não afastarão os dois países. "A união de Brasil e Argentina nenhum governo de conjuntura poderá destruir."

O argentino ainda acrescentou que demorou para chegar ao evento porque ficou "mais de uma hora falando com o presidente Macron" e que sentiu que o francês o entendeu. "Falamos do que está ocorrendo com Evo Morales, que está sendo atacado pela elite de seu país apenas por ser o primeiro presidente boliviano que se parece com os bolivianos".

Afirmou que também conversaram sobre o Chile e que ele teria afirmado ao francês que "o milagre chileno foi que uma revolta desse porte não tenha acontecido antes". Segundo Fernández, Macron o convidou a ir à França antes mesmo da posse, que será no próximo dia 10 de dezembro. O presidente eleito irá convidar Lula para a cerimônia.

À sua direita, na mesa, estava sentada a ex-presidente brasileira Dilma Rousseff, que, em sua intervenção, disse: "A primeira reunião do Grupo de Puebla celebrou a eleição de López Obrador no México (em julho de 2018), esta, a de Alberto Fernández na Argentina. Nas próximas, espero que possamos festejar as eleições de outros líderes progressistas pela região".

O Grupo de Puebla, que conta com 30 representantes de 12 países, terá reuniões a cada quatro meses.

A primeira sessão do grupo colocou o foco sobre os processos judiciais contra ex-presidentes de esquerda, nomeando como "perseguidos políticos" Rafael Correa (Equador), Cristina Kirchner (Argentina) e Lula (Brasil). 

Também começou a redação de um comunicado repudiando "a tentativa de golpe de Estado na Bolívia". Segundo o fundador do grupo, Marco Enríquez-Ominami, "não há nenhum indício de fraude nas eleições e a direita está avançando para tirar à força Morales do poder, enquanto a OEA [Organização dos Estados Americanos], que muda de ideia a cada momento, não está cooperando para normalizar a situação".

O ex-presidente colombiano Ernesto Samper também falou sobre a crise na Bolívia, dizendo que "as lideranças políticas da Bolívia devem fazer um esforço para que o país não retroceda no tempo, voltando a viver episódios de violência e de sistemas autoritários".

Na noite de sexta (8), os convidados do evento se reuniram no Café las Palabras, em Buenos Aires. Estavam, entre eles, o uruguaio Pepe Mujica (Uruguai), Clara López (Colômbia), Dilma Rousseff (Brasil), Fernando Lugo (Paraguai) e o argentino Fernández. Fizeram selfies do grupo e um vídeo em que aparecem fazendo o sinal de "Lula livre" com as mãos.