Grupo que pediu exoneração do Inep recebe Prêmio Faz Diferença na categoria Educação

A coragem de 37 servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) , que decidiram pedir exoneração de cargos de chefia para divulgar denúncias de assédio moral e até tentativas de interferência no principal vestibular do país, o Enem, mereceu destaque no Faz Diferença na categoria Educação. Representando o grupo, o presidente da Associação de Servidores Inep, Alexandre Retamal, recebeu o prêmio pelo esforço dos funcionários públicos, em 2021, de chamar a atenção para o que denominaram, à época, de "fragilidade técnica e administrativa da atual gestão máxima” do órgão.

— Hoje, pela primeira vez, tivemos um ex-ministro da Educação preso. Nós servidores somos perseguidos. Sabemos que o Enem estava em risco. O INEP estava em risco. A Educação está em risco. Mas a gente tem que lutar para reerguer a educação do nosso país. São pessoas que se dedicam. Eu estou há 15 anos lá, há pessoas que dedicam uma vida inteira à educação. É um dia triste (por causa da prisão do ex-ministro), mas que seja de renascimento, priorizando o futuro das crianças. Vamos continuar lutando pela educação em nosso país.

O episódio chamou atenção, porque o Inep, além de organizar o Enem, produz estudos oficiais sobre a educação no país. De acordo com denúncia divulgada pela Associação dos Servidores do Inep (Assinep), a “alta gestão” do instituto decidiu que não atuaria na resolução de problemas, durante a aplicação do Enem, e que os servidores escalados deveriam resolver qualquer imprevisto com “uma espécie de votação” entre eles.

Ao “Fantástico”, da TV Globo, servidores denunciaram ainda tentativas de interferência no conteúdo das provas e situações de intimidação. “O grande erro é achar que você pode simplesmente pegar uma prova e sair riscando itens que você não gosta do conteúdo deles”, afirmou o funcionário. Segundo ele, um dirigente do Inep foi até o local de confecção da prova, um ambiente seguro, fez a leitura das questões do exame e solicitou a exclusão de mais de duas dezenas de questões dessa primeira versão. “O corpo técnico e pedagógico se vê obrigado a refazer a prova duas vezes”, disse outro funcionário.

A premiação dos servidores ocorreu justamente no dia em que o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e um pastor foram presos na operação da Polícia Federal batizada de Acesso Pago, por outro escândalo durante a gestão dele na pasta. Ambos são suspeitos de operar um "balcão de negócios" no Ministério da Educação (MEC) e na liberação de verbas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).

O prêmio na categoria Educação foi entregue ao presidente da Associação de Servidores Inep, Alexandre Retamal, que representou o grupo, pelo editora de Brasil, Carla Rocha, e pelo diretor da sucursal de Brasília, Thiago Bronzatto. O Prêmio Faz Diferença é uma iniciativa do GLOBO, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

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