Grupos indígenas pedem perdão de dívidas soberanas de países da Amazônia por preservação da floresta

Vista aérea mostra desmatamento na Amazônia no Estado brasileiro do Mato Grosso. Arquivo.

Por Marcelo Rochabrun

LIMA (Reuters) - Grupos indígenas de toda a bacia amazônica pediram, nesta segunda-feira, que instituições financeiras perdoem as dívidas soberanas dos países sul-americanos que compõem a floresta amazônica, em troca de compromissos de preservação do meio ambiente.

A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e sua perservação é considerada fundamental para evitar os impactos mais catastróficos das mudanças climáticas.

O pedido vem de um relatório publicado esta semana liderado pela Coica, uma organização de grupos indígenas que vivem na Amazônia em nove países diferentes.

“O acordo é perdoar a dívida existente em troca de compromissos para acabar com o extrativismo industrial e promover a preservação em áreas prioritárias, territórios indígenas e áreas protegidas”, segundo o relatório.

Ao vincular as obrigações de dívida de governos com as metas climáticas internacionais relacionadas à floresta amazônica, a iniciativa da Coica coloca a preservação na dianteira das discussões sobre renegociação de dívidas.

A Coica pretende preservar 80% da Amazônia até 2025, uma meta que descreve como ainda possível, apesar dos crescentes níveis de desmatamento nos últimos anos.

Embora a Amazônia seja escassamente povoada, a região tem um valor econômico significativo, especialmente com a extração de petróleo no Equador e na Colômbia e a mineração irregular de ouro no Brasil, Peru e Bolívia.

“Essas dívidas (soberanas) adquiridas estão previstas para serem pagas com recursos encontrados em territórios indígenas da Amazônia, como petróleo, mineração e outros”, disse o vice-coordenador da Coica, Tuntiak Katan, do Equador.

Entre os países amazônicos, Brasil, Equador e Colômbia estão sobrecarregados por dívidas soberanas significativas.

((Tradução Redação São Paulo))

Reuters PB PF