GSI critica reportagem do Jornal Nacional e dá nova versão sobre frase de Bolsonaro em reunião citada por Moro

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno

RIO — Em nota enviada à TV Globo, o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, fez críticas à reportagem do "Jornal Nacional" que revelou nova contradição na versão do presidente Jair Bolsonaro sobre reunião ministerial do dia 22 de abril, citada pelo ex-ministro Sergio Moro como prova de interferência do presidente na Polícia Federal. A reportagem revelou que, apesar de alegar que estava preocupado com a segurança dos seus filhos no Rio de Janeiro, Bolsonaro promoveu o responsável por essa função menos de um mês antes da reunião.

Segundo a nota do GSI, a matéria é mal elaborada e uma tentativa de fazer reportagem maldosa contra o presidente da República usando como exemplo a promoção do General Sá Corrêa, recém nomeado Comandante da 8ª Brigada de Infantaria Motorizada, de Pelotas-RS.

André Laranja de Sá Corrêa era diretor do Departamento de Segurança Presidencial. Entre as funções desse departamento, vinculado ao GSI, está zelar pela segurança pessoal do presidente da República, do vice-presidente e dos seus familiares. No dia 26 de março, como revelou o "Jornal Nacional', ele foi promovido a general de brigada e transferido para o comando da 8ª Brigada de Infantaria Motoriza do Exército, localizada em Pelotas (RS). A promoção de oficiais-generais é prerrogativa do presidente da República e deve ocorrer de acordo com o mérito. No lugar de Sá Corrêa, Bolsonaro colocou Gustavo Suarez, que até então era diretor-adjunto do departamento.

A nota do GSI diz ainda que o então Coronel Sá Corrêa foi selecionado pelo Alto Comando do Exército, por seus méritos, para integrar a lista de escolha que seria levada ao presidente da República. Segundo a nota, o presidente não participa das reuniões de promoção de oficiais generais, que acontecem no Alto Comando das três Forças.

A nota afirma, no entanto, que compete ao presidente, por lei, examinar as listas levadas pelo ministro da Defesa e escolher entre os nomes sugeridos os que serão promovidos. E que cabe ao presidente assinar os decretos de promoção.

Ainda segundo a nota, o Coronel Suarez assumiu a Chefia do Departamento de segurança, porque era o mais antigo depois do Coronel Sá Corrêa.

O ministro Augusto Heleno disse também na nota que, na reunião ministerial, falando para os seus ministros, e não em público, o presidente citou, apenas como exemplo, uma troca que desejasse realizar, na segurança pessoal dele. E que, caso houvesse qualquer oposição a essa troca, na ponta da linha, ele poderia chegar até a demitir o ministro para que sua decisão fosse cumprida.

A nota conclui que o presidente não se referiu a nenhum caso real que houvesse ocorrido com sua segurança pessoal.

Em resposta ao ministro, a TV Globo ressaltou que a nota do ministro confirma as informações da reportagem sobre a promoção, que em nenhum momento questionou os méritos do general Sá Corrêa, e que a frase de Bolsonaro na reunião ministerial de 22 abril ganha agora mais uma versão.

Na reunião, Bolsonaro reclamou que não conseguia trocar o chefe da “segurança nossa”,  segundo a transcrição divulgada pela própria Advocacia-Geral da União (AGU). A AGU e o próprio Bolsonaro afirmam que a menção era à segurança da família, mas fontes que viram a íntegra do vídeo sustentam que Bolsonaro mencionava o desejo de mudanças na Polícia Federal, efetivadas dois dias depois com a demissão do diretor-geral Maurício Valeixo, levando à saída de Moro do governo.

“A nota do ministro do gabinete de segurança institucional Augusto Heleno confirma integralmente o que o Jornal Nacional publicou. Que o antigo titular da direção de segurança pessoal da presidência, o então coronel Sá Correa, foi promovido a general de brigada por escolha do presidente Bolsonaro. E que o substituto escolhido foi o número dois do departamento. Em nenhum momento, o Jornal Nacional questionou os méritos do general Sá Corrêa.

Quis apenas mostrar que a versão do presidente sobre o que disse na reunião ministerial de 22 de abril não encontra respaldo na realidade. O presidente reiteradas vezes afirmou que se referia à segurança dele, de sua família e de seus amigos, quando disse que tentou fazer mudanças na segurança do Rio e não conseguiu.

Como mostrou o Jornal Nacional, o presidente não teve dificuldades em fazer trocas no departamento responsável por sua segurança. Promoveu o titular, substituiu-o pelo seu adjunto e também trocou a chefia do escritório no Rio. Sem dificuldades.

Por fim, é de se destacar que a frase do presidente Jair Bolsonaro na reunião ministerial de 22 abril ganha agora mais uma versão. Segundo o ministro Augusto Heleno, o presidente, ao mencionar a segurança no Rio, quis dar apenas um exemplo sobre o que faria caso quisesse realizar uma troca no setor e encontrasse oposição: poderia chegar até a demitir o ministro para ver a sua decisão cumprida, não tendo o presidente se referido a nenhum caso real que houvesse ocorrido. Registre-se também que o ministro Augusto Heleno não esclareceu por que motivo o presidente se viu compelido a dar esse exemplo.

A dúvida permanece."