Guaidó alerta militares que espera por seu apoio não será 'eterna'

Por Alexander MARTINEZ, Andrea TOSTA
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Seguidores do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, comemoram saída do país da OEA

O opositor Juan Guaidó alertou, neste sábado, os militares venezuelanos que a espera a que abandonem o presidente Nicolás Maduro "não pode ser eterna", durante um novo dia de mobilizações em Caracas.

Guaidó insistiu em que a Força Armada é determinante para o "fim da usurpação" do poder por parte de Maduro, durante uma concentração na qual juramentou os "comandos de liberdade", voluntários que encarregou de obter respaldos e organizar os protestos contra o governo.

"É fundamental (o apoio militar) mas o tempo passa, a espera não pode ser eterna, eles têm uma oportunidade histórica de sair vitoriosos", disse o opositor, reconhecido como presidente interino da Venezuela por cerca de 50 países, liderados pelos Estados Unidos.

A Força Armada é considerada o principal apoio de Maduro, que lhe concedeu amplo controle político e econômico e se agarra à presidência também com o apoio da China e da Rússia.

- OEA sim, OEA não -

Enquanto Guaidó organizava uma marcha convocada para 1º de maio, os chavistas se mobilizaram para comemorar a saída da Venezuela da Organização dos Estados Americanos (OEA).

"OEA, para o caralho! A OEA se tornou uma latrina do imperialismo, o maior instrumento repressivo do imperialismo", disse o dirigente Diosdado Cabello ante centenas de simpatizantes.

Com cartazes que diziam "OEA adeus" ou "Yankees não", centenas de chavistas marcharam até a sede da chancelaria, no centro de Caracas, com a conclusão do processo de saída que Maduro iniciou em abril de 2017.

Neste sábado foi concluído o processo de retirada que Maduro iniciou em abril de 2017. Mas em fevereiro o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, deixou a saída sem efeito, a pedido de Guaidó.

Por maioria simples, a OEA aceitou depois o advogado Gustavo Tarré como representante permanente do também líder do Parlamento de maioria opositora.

- "Têm medo" -

Guaidó anuncia a mobilização de quarta-feira como "a maior da história" do país, em sua ofensiva para retirar Maduro, cujas funções assumiu no último 23 de janeiro alegando que o mandatário foi reeleito de forma fraudulenta.

"Têm medo do primeiro de maio", afirmou ao se referir à detenção, na sexta-feira, do deputado opositor Gilber Caro e denunciar que 11 de seus colaboradores receberam notificações do serviço de inteligência.

"Aqui estaremos (...) para tirar este tirano que temos no (palácio de) Miraflores", declarou à AFP Marlene Berroterán, de 64 anos, entre a multidão.

Maduro também convocou uma marcha para o Dia do Trabalhador.

"Pobre Guaidó. Desculpe, mas você vai ficar sozinho como todos os demais porque é manejado pela OEA, é mais uma marionete do império e da CIA", comentou à AFP a professora Geraldina de Sousa, de 58 anos, na concentração chavista.

- A sombra do embargo -

Venezuela, com a maior reserva de petróleo do mundo, enfrenta uma grave crise econômica com cinco anos de recessão, hiperinflação projetada pelo FMI em 10.000.000% para 2019 e escassez de bens básicos.

A situação, que obrigou 2,7 milhões de pessoas a emigrarem desde 2015, segundo a ONU, pode se agravar com a entrada em vigor na segunda-feira de um embargo petroleiro americano.

A partir desse dia será proibido fazer transações com o petróleo venezuelano no sistema financeiro dos Estados Unidos, que até o fim de 2018 foi o principal mercado do país caribenho.

Especialistas estimam que a medida, parte de uma bateria de sanções, piorará a crise, deixando a China e a Rússia como salva-vidas, sem que isso garanta a saída de Maduro.

Durante o ato chavista, o chanceler Jorge Arreaza, sancionado na sexta-feira, afirmou que o "bloqueio criminoso" busca "destruir" a chamada revolução bolivariana.

"Não acho que as sanções petroleiras conseguirão desalojar Maduro. Embora tenham complicado as finanças do governo, deixando-os lutando por novos mercados para o petróleo e novos provedores de produtos refinados, reorganizarão suas relações comerciais", disse à AFP David Smilde, especialista em Venezuela do centro de pesquisas WOLA, com sede em Washington.