Guaidó anuncia liberação de verba para vacinas contra covid na Venezuela

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O líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, em 3 de março de 2021 em Caracas

O líder da oposição Juan Guaidó e fontes próximas de sua equipe informaram que nesta sexta-feira (18) será aprovada a liberação de recursos da Venezuela bloqueados no exterior para iniciar o financiamento de 12 milhões de vacinas contra a covid-19 pelo mecanismo Covax.

“Aprovaremos o projeto de acordo para financiar o acesso da Venezuela ao mecanismo Covax para vacinas contra a covid-19" da Organização Mundial da Saúde (OMS), revelou no Twitter Guaidó, reconhecido como presidente interino deste país pelo Estados Unidos e cinquenta governos.

Washington, em uma de suas medidas de pressão contra o presidente socialista Nicolás Maduro, deu ao líder da oposição o controle das contas e ativos da Venezuela nos Estados Unidos.

Guaidó não deu mais detalhes, mas uma fonte próxima de sua equipe de trabalho revelou à AFP que trata-se de um pagamento inicial pelo recebimento de 12 milhões de doses em um ano. O valor total da negociação ultrapassaria 100 milhões de dólares.

Os governos de Maduro, Guaidó e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) vêm mantendo negociações para tentar agilizar a chegada das vacinas Covax, o que até agora não se concretizou.

A Venezuela já tinha entre 1,4 e 2,4 milhões de vacinas da britânica AstraZeneca reservadas por meio do Covax, mecanismo da OMS para garantir o acesso à imunização contra a covid-19, mas dívidas com essa entidade impediram a chegada dos imunizantes.

O governo de Maduro também anunciou na segunda-feira que não vai autorizar a vacina britânica por medo de efeitos colaterais.

O país iniciou sua campanha de inoculação com a vacina russa Sputnik V em fevereiro, priorizando profissionais de saúde e autoridades, e em março passou a aplicar também a da farmacêutica chinesa Sinopharm.

Com Washington como principal aliado, Guaidó reivindicou a presidência interina da Venezuela em janeiro de 2019 por ser o chefe do Parlamento, depois que a maioria da oposição, que governava o Legislativo na época, declarou Maduro um "usurpador", acusando-o de ter sido reeleito de maneira fraudulenta no ano anterior.

Um novo Congresso foi eleito em 6 de dezembro de 2020, em eleições vencidas pelo partido no poder apesar das denúncias de fraude e do boicote das principais organizações políticas de oposição.

Os Estados Unidos, a União Europeia e vários países latino-americanos não reconhecem esta nova Assembleia Nacional, enquanto Guaidó defende a continuidade da anterior até que sejam organizadas eleições "limpas".

A Venezuela, com quase 30 milhões de habitantes, registra 147.577 casos de covid-19 e 1.459 mortes até quarta-feira, segundo dados do governo de Maduro, questionados pela oposição e ONGs em meio a alertas para o aumento de infecções.

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