Guaidó, Maduro e "o apagão" queimados na malhação de Judas na Venezuela

Por Lucía LACURCIA
Boneco simbolizando "O apagão" em Caracas, em 21 de abril de 2019

Bonecos do presidente Nicolás Maduro e do opositor Juan Guaidó, do presidente americano Donald Trump e até mesmo "dos apagões" foram queimados neste domingo em Caracas durante a tradicional "malhação de Judas".

Os bonecos feitos de trapos são tradicionalmente queimados ao final da celebração da Semana Santa, para manifestar a rejeição popular de um personagem que é considerado um "traidor". Às vezes, os bonecos representam situações.

Com uma tocha, moradores de El Cementerio (oeste) atearam fogo a um enorme boneco que chamaram de "O apagão", que antes pendeu de uma forca no meio da rua.

Sua queima atraiu vizinhos partidários do governo e da oposição.

Enquanto "O apagão" era consumido pelo fogo, um grupo de jovens pulava e gritava "não voltarão!", em referência aos anti-chavistas, e outro grupo gritava contra Maduro.

Em 7 de março, o país ficou às escuras devido a um apagão que durou cinco dias e afetou os serviços hospitalares, transporte e abastecimento de água.

Desde então, as quedas de energia continuaram e algumas regiões, especialmente no oeste do país, têm poucas horas de eletricidade por dia.

A oposição e os especialistas culpam a ineficiência e corrupção do governo socialista. Maduro alega que é o produto de ataques planejados pelos Estados Unidos para depô-lo.

Claramente caracterizado por seu cabelo amarelo, Trump também foi vítima em vários bairros da capital.

Em uma das encenações, seu boneco foi acompanhado por um de Guaidó de costas, meio agachado e com as calças abaixadas.

Guaidó, reconhecido como presidente interino por mais de 50 países, se autoproclamou presidente em 23 de janeiro, depois de declarar Maduro "usurpador", alegando que as eleições em que foi eleito foram fraudulentas.

"Juan Guaidó tem sido o fantoche que conspirou para que nosso país sofresse a intervenção dos Estados Unidos", disse à AFP Zuleidy Padilla, uma das promotoras dessa queima.

Do outro lado de Caracas, um judas batizado de "Os 8 mais odiados" ardeu em Chacao (leste).

Do boneco pendiam fotocópias com os rostos de Maduro, de sua esposa Cilia Flores, além de Diosdado Cabello, número dois do partido no poder, e vários ministros.

São "os rostos das autoridades que zombaram do povo em todas as suas expressões", disse Pilar Gutiérrez, encarregada da iniciativa.