Guaidó nega acusações de corrupção com fundos venezuelanos bloqueados no exterior

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O líder da oposição venezuelana Juan Guaidó, em fevereiro de 2020

O líder da oposição Juan Guaidó negou nesta quarta-feira (6) as denúncias publicadas pelo jornal The Washington Post sobre suposta corrupção com fundos e ativos da Venezuela por 40 bilhões de dólares bloqueados no exterior.

Chefe do parlamento de oposição da Venezuela e reconhecido como presidente por cinquenta países, incluindo os Estados Unidos, Guaidó disse que os casos relatados pelo jornal norte-americano no sábado passado foram detectados por "mecanismos de controle" de sua equipe e, como resultado, seus colaboradores rejeitaram as negociações irregulares que os cercaram.

“Estamos empenhados em recuperar e proteger o patrimônio da República do saque sistemático do regime de Nicolás Maduro (...). Para isso, dispomos de mecanismos de controle que nos permitem detectar qualquer acordo ou gestão que possa prejudicar os interesses” do país, “tal como aconteceu com as propostas referidas no artigo”, diz a nota do gabinete do líder da oposição.

O Washington Post publicou no sábado passado depoimentos e documentos denunciando pedidos de suborno para negociações com ativos venezuelanos nos Estados Unidos e negociações para um eventual cancelamento da dívida do Paraguai com o país caribenho, denúncias negadas pelo governo de Mario Abdo Benítez.

Os Estados Unidos, em seu apoio a Guaidó para tentar tirar Maduro do poder, entregaram ao adversário o controle dos ativos venezuelanos no país, entre eles a refinadora Citgo, subsidiária da petroleira estatal PDVSA.

“Pode-se confirmar que não há evidências dos supostos atos de extorsão”, disse o gabinete de Guaidó, que alegou ter pedido ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos “para iniciar uma investigação independente”.

O escândalo coincide com um momento difícil para Guaidó. Na terça-feira, um novo parlamento controlado pelo chavismo tomou posse na Venezuela, conquistando 256 dos 277 assentos nas eleições legislativas de 6 de dezembro, boicotadas pelos principais partidos políticos da oposição e não reconhecidas pelos Estados Unidos e União Europeia.

Guaidó defende a “continuidade” da oposição Assembleia Nacional -eleita em 2015- chamando as últimas eleições de uma “farsa”.

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