Medo da política migratória de Trump deixa abrigos da fronteira vazios

María León.

Tucson (EUA), 21 abr (EFE).- Os abrigos para imigrantes na fronteira dos Estados Unidos com o México estão praticamente vazios por conta do medo das novas políticas migratórias implementadas pelo presidente americano, Donald Trump.

"Nunca tínhamos vivido uma situação como esta. O abrigo antes não era grande o bastante, agora dificilmente temos 15 pessoas por dia", disse à Agência Efe Gilda Esquer, uma das fundadoras do abrigo para imigrantes San Juan Bosco, na cidade fronteiriça de Nogales, em Sonora (México), na fronteira com o Arizona.

Gilda indicou que nas últimas semanas o movimento de imigrantes diminuiu em 80% no abrigo, que tem capacidade para hospedar 100 pessoas.

O estabelecimento foi aberto há 35 anos e desde então acolheu mais de um milhão de imigrantes.

Gilda assegurou que nunca antes tinha presenciado uma queda tão drástica no fluxo migratório como o registrado desde que Trump assumiu a presidência dos EUA.

"As pessoas têm medo, muito medo, os que estão sendo deportados não querem tentar de novo porque estão ameaçando colocá-los na cadeia", disse.

Nos últimos dias, a maioria das camas do abrigo está vazia, à espera de hóspedes, principalmente se as deportações continuarem nos EUA.

A mesma situação vivem os abrigos para imigrantes nos dois lados da fronteira com o Texas.

"Há uma semana estávamos tendo uma média de 50 migrantes, quando há dois meses tínhamos até 150 por dia", disse à Efe Norma Pimentel, uma religiosa que administra um destes locais em McAllen, no sul do Texas.

"Os migrantes que continuam chegando até a fronteira têm medo da violência em seus países, mas também têm medo de serem deportados", ressaltou.

Norma explicou que mantém contato contínuo com a Patrulha Fronteiriça e os agentes lhe disseram que esperam que o fluxo migratório se mantenha baixo nos próximos meses.

A religiosa contou que recentemente visitou a cidade fronteiriça de Reynosa, no lado mexicano, e constatou que lá os abrigos também estão praticamente vazios.

O Escritório de Alfândegas e Proteção Fronteiriça dos EUA (CBP) registrou uma redução de 40% nas detenções de imigrantes ilegais durante os dois primeiros meses do ano, em relação ao mesmo período de 2016. As detenções caíram de 31.578 a 18.762 em um ano.

Organizações como a Associação Americana de Imigração (AILA) criticaram publicamente as ordens executivas assinadas por Trump sobre a segurança na fronteira.

Estas ordens incluem a construção de um muro e a contratação de cinco mil agentes adicionais para a Patrulha Fronteiriça.

"Os EUA investiram milhões de dólares em segurança nacional e, apesar do que se diz, a fronteira está mais segura do que nunca", disse Benjamin Johnson, diretor executivo da AILA, em um comunicado à imprensa.

As ordens executivas de Trump retiraram as prioridades de deportação estabelecidas pelo presidente Barack Obama, fazendo com que mais pessoas estejam sendo detidas e deportadas no interior do país.

As notícias sobre as deportações preocupam os imigrantes ilegais, que temem passar mais tempo em centros de detenção se forem detidos em sua tentativa de cruzar a fronteira.

Germán Banacek Álvarez, cônsul geral de El Salvador em Arizona e Novo México, disse à Efe que continua visitando constantemente os abrigos e centros de detenção para oferecer auxílio a seus cidadãos.

O cônsul assegurou que sempre recomenda que os imigrantes mantenham a calma e sigam as regras dos EUA para evitar problemas com as autoridades.

Enquanto isso, tanto Gilda quanto Norma esperam que os imigrantes comecem a voltar aos abrigos. EFE