Guarda Revolucionária do Irã emite alerta após protestos por morte de mulher se espalharem

Protesto em Teerã

DUBAI (Reuters) - A poderosa Guarda Revolucionária do Irã pediu nesta quinta-feira que o judiciário da República Islâmica processe "aqueles que espalham notícias falsas e rumores" sobre uma jovem cuja morte sob custódia policial desencadeou protestos em todo o país.

Manifestantes em Teerã e outras cidades iranianas incendiaram delegacias e veículos nesta quinta-feira, enquanto a indignação pública pela morte não mostra sinais de abrandamento, com relatos de forças de segurança sendo atacadas.

Mahsa Amini, de 22 anos, morreu na semana passada depois de ser presa em Teerã por usar "trajes inadequados". Ela entrou em coma durante a detenção. As autoridades disseram que iniciarão uma investigação sobre a causa de sua morte.

"Pedimos ao judiciário que identifique aqueles que espalham notícias falsas e rumores nas redes sociais e nas ruas e que põem em risco a segurança psicológica da sociedade e que lidem com eles de forma decisiva", disse a Guarda, que reprimiu protestos no passado.

Os protestos pela morte de Amini são os maiores na República Islâmica desde 2019. A maioria se concentrou no noroeste do Irã, povoado por curdos, mas se espalhou para a capital e pelo menos 50 cidades e vilas em todo o país, com a polícia usando a força para dispersar os manifestantes.

No nordeste, manifestantes gritaram "Vamos morrer, vamos morrer, mas vamos recuperar o Irã" perto de uma delegacia que foi incendiada, mostrou um vídeo postado na conta do Twitter 1500tasvir. A conta se concentra em protestos no Irã e tem cerca de 100 mil seguidores.

Outra delegacia de polícia foi incendiada em Teerã quando a agitação se espalhou a partir do Curdistão, a província natal de Amini e onde ela foi enterrada no sábado.

A morte de Amini reacendeu a agitação por questões como restrições às liberdades pessoais no Irã, incluindo códigos de vestimenta rígidos para mulheres, e uma economia que sofre com as sanções.

Sem nenhum sinal de abrandamento dos protestos, as autoridades restringiram o acesso à internet, de acordo com relatos do grupo de direitos humanos curdo Hengaw, moradores e o observatório de desligamento da internet NetBlocks.

As mulheres têm desempenhado um papel de destaque nos protestos, acenando e queimando seus véus, com algumas cortando o cabelo em público.

(Reportagem da redação de Dubai)