Guardas municipais do Rio morrem com suspeita de coronavírus

Luiz Ernesto Magalhães
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O guarda municipal Silvio Ferreira de Souza, que morreu com suspeita de Covid-19

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O guarda municipal Silvio Ferreira de Souza, que morreu com suspeita de Covid-19

Três guardas municipais do Rio morreram na semana passada com suspeita de Covid-19. Uma das vítimas foi o líder operacional Silvio Ferreira de Souza, de 51 anos. Internado desde o dia 10, morreu na sexta-feira de insuficiência respiratória num hospital particular de Ipanema. A técnica de enfermagem, Vanessa de Souza, de 29 anos, disse que o pai, que entrou na Guarda há 27 anos, apresentava todos os sintomas de coronavírus.

Um primeiro exame feito com swab deu negativo para a doença, mas a família espera um posicionamento do laboratório sobre uma contraprova, que apresentou problemas.

— Ele já estava indisposto, com falta de ar, alguns dias antes de ser internado. Ele passou vários dias no CTI com outros pacientes suspeitos de Covid e precisou inclusive ser submetido a hemodiálise como outros pacientes de coronavírus. Meu pai chegou a ter alta do CTI e foi transferido para um quarto particular, mas precisou voltar para o CTI porque a frequencia respiratória estava abaixo de 50 — contou a filha.

Sílvio, que entrou na Guarda Municipal há 27 anos, era considerado do grupo de risco e estava afastado do trabalho por ser hipertenso. Ele deixa duas filhas e esposa. Vanessa, no entanto, diz que considerava o pai uma pessoa bastante saudável:

— Meu pai era muito chato com a alimentação. Fazia exercícios, se cuidava — disse a filha, que se lembra do pai com orgulho: — Era um grande homem. Ajudava muita gente. Nessas enchentes do Rio, ele conseguiu muitas doações para as pessoas que perderam tudo. Em especial na cidade de Deus.

Na quinta-feira, outro agente, Josué Pereira da Silva, de 51 anos, sendo 25 na Guarda, também morreu por insuficiência respiratória e suspeita de Covid-19. Já Roberto Reginaldo Fernandes, de 46 anos, da ronda escolar, estava internado havia dois meses por outra doença e morreu com insuficiência respiratória no início da semana passada.

Segundo a Guarda, outros quatro agentes da corporação foram diagnosticados com Covid-19 mas sem gravidade. Esse número, porém, pode ser maior. O vereador Jones Moura (PSD), que é guarda municipal, estima que pelo menos 300 agentes teriam apresentado sintomas de gripe e precisaram entrar de licença para cumprir quarentena, já que não foram testados. A prefeitura não confirmou o número. Jones também disse que alguns grupamentos da GM ainda trabalham sem equipamentos de proteção individual.

A Guarda Municipal nega e diz que, desde o início da pandemia, já comprou 56 mil máscaras para a corporação, das quais 30 mil começaram a ser distribuídas ontem. Também já foram comprados 11 mil pares de luvas, 700 litros de áalcool gel entre outros itens.

No fim de semana, a prefeitura também registrou pelo menos mais três mortes. A primeira foi do presidente da Rio Luz, Max Kelli Mota da Silva. Outra vítima da pandemia foi a coordenadora de operações da Riotur, Maria das Graças Pinheiro, de 65 anos, há mais de 40 no órgão:

— Quando ela adoeceu, no início de abril, parecia um resfriado bobo. Ela se medicou, e passou. No dia 12, o estado de saúde dela começou a piorar. Ela se sentia fraca e com falta de ar, mas não queria ir para o hospital. Na quarta-feira seguinte, foi internada. Minha mãe foi transferida da clínica na Tijuca para outro hospital da rede em Niterói, onde ficou no CTI. O quadro ao longo dos dias só piorou. Até que ela morreu no domingo — contou Ana Paula Pires, de 40 anos, que era sobrinha de Maria das Graças, mas a tratava como mãe de consideração.

Maria das Graças era divorciada e tinha outros dois filhos.

Também no domingo, morreu Alan Venâncio, da secretaria da Pessoa com Pessoa com Deficiência. Intérprete de Libras, ele faleceu em casa em Nova Iguaçu com sintomas da doença. Ele trabalhava na prefeitura há seis anos