'Guardião de Crivella' é chamado para depor e manda a polícia 'intimar o prefeito'

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RIO — Durante a Operação Freedom, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) deixou de cumprir três dos nove mandados de busca e apreensão contra servidores que faziam parte do grupo "Guardiões do Crivella". Num deles, segundo a polícia, o funcionário público Marcos Aurélio Poydo Mendes, que mora no Morro da Galinha, no Engenho da Rainha, no subúrbio do Rio, debochou dos agentes quando ele foi comunicado sobre a intimação, por telefone. O titular da Draco, o delegado William Pena Jr., o suspeito mandou a polícia intimar o prefeito.

— Era uma área de risco, havia barricadas à vista. O agente ligou para o alvo a fim de entregar a intimação para que ele comparecesse à Draco. Por telefone, ele disse para 'intimar o prefeito'. Em tom de deboche — contou o delegado. — Temos que cumprir a ordem judicial do STF (Supremo Tribunal Federal) de não fazer operações sem apresentar as justificativas. Trabalhamos de madrugada para efetuarmos as buscas e apreensões. Não podíamos perder tempo — explicou Pena, que não cumpriu os outros dois mandados porque os alvos também moravam em favelas.

Segundo o delegado, a operação teve que ser rápida para que os envolvidos não destruíssem provas. Quem autorizou as buscas e apreensões foi a juíza Soraya Pina Bastos, do Plantão Judiciário. De acordo com a Polícia Civil, caso haja provas de envolvimento do prefeito Marcelo Crivella, o inquérito será enviado para o Grupo de Atribuição Originária Criminal da Procuradoria-Geral de Justiça (GAOCRIM/MPRJ) do Ministério Público do Rio.

— Se em algum momento da investigação chegarmos em algum agente público com foro, vamos encaminhar ao Coordenadoria de Investigação para Agentes com Foro (Ciaf), que atua em parceria com o Gaocrim — disse Pena.

O delegado informou que, além dos telefones dos servidores, foram apreendidos documentos, boa parte com a logomarca da prefeitura do Rio. Na casa do principal alvo, em Olaria, o servidor Marcos Luciano, apontado como chefe do "Guardiões do Crivella", foi levado um computador com as iniciais dele: "ML". No celular dele, havia 199 nomes registrados no grupo, sendo que muitos já tinham saído do grupo.

— Todo o material será analisado com cuidado. Faremos uma avaliação técnica nos aparelhos. Já conseguimos a autorização para ver os dados. Estes servidores feriram o segundo preceito constitucional mais importante: a liberdade de expressão. Não permitiram que as pessoas expressassem sua opinião na porta dos hospitais — disse Pena.

Também acharam na casa de Marcos Luciano, um pacote escrito “Crivella” e cerca de R$ 10 mil. Todo o material foi apreendido e será periciado.

Marcos Luciano foi levado para prestar depoimento na Draco. O GLOBO apurou que o assessor de Crivella é investigado em três inquéritos que apuram suposto envolvimento com a milícia. Ele foi depor acompanhado por um advogado. Também foi levado para delegacia o servidor público Luís Carlos Joaquim da Silva, o Dentinho.

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