Guatemala autoriza uso da força contra possível caravana de migrantes hondurenhos

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Um grupo de imigrantes de Honduras e Guatemala chegando ilegalmente do México desembarcou de um barco inflável no lado norte-americano do rio Rio Grande antes de entregar-se aos agentes de fronteira na cidade fronteiriça de Roma em 28 de março de 2021

A Guatemala decretou nesta segunda-feira (29) o estado de prevenção que autoriza o uso da força em sua fronteira com Honduras para impedir a entrada de uma nova caravana de migrantes que sairá daquele país em sua tentativa de chegar aos Estados Unidos, informou o governo.

A caravana partirá nesta terça-feira do norte de Honduras, segundo as autoridades de Migração da Guatemala.

O decreto, assinado pelo presidente Alejandro Giammattei e seu gabinete, estabelece que "há risco de deslocamento" de migrantes em cinco departamentos de fronteira que "não cumpririam" os controles legais ou apresentaram teste negativo de covid-19, necessário para entrar na Guatemala.

A caravana vai gerar uma “crise de segurança do cidadão” ao entrar e percorrer o país, “agravando a emergência epidemiológica da saúde” devido à pandemia do coronavírus, justificou o governo.

Durante o estado de prevenção, qualquer reunião, grupo ou manifestação pública que ocorra sem a devida autorização pode ser "dissolvida à força", acrescenta o texto.

O estado de prevenção prevalecerá nos próximos dias nos departamentos de Izabal, Zacapa, Chiquimula, El Progreso (leste) e Petén (norte), todos próximos à fronteira com Honduras.

Alejandra Mena, porta-voz do Instituto de Migração da Guatemala, disse a jornalistas que, embora seu homólogo em Honduras não tenha confirmado o êxodo, eles estão sendo monitorados porque "grupos do Facebook e WhatsApp" alertam sobre o "possível movimento" para esta terça-feira.

Em meados de janeiro, a polícia e soldados guatemaltecos empurraram com cassetetes e gás lacrimogêneo uma caravana de quase 7.000 migrantes hondurenhos que invadiram a fronteira sem passar pelos controles exigidos pela Guatemala.

O grupo, no qual viajavam várias crianças, fugiu da pobreza, da violência e dos danos causados pela passagem dos furacões no final de 2020 em Honduras.

Eles também marcharam esperançosos por mudanças na política de imigração dos Estados Unidos com a chegada de Joe Biden ao poder.

Desde outubro de 2018, a migração irregular da América Central para os Estados Unidos sofreu uma reviravolta com a saída de caravanas de milhares de pessoas, principalmente do norte de Honduras, acompanhadas por salvadorenhos, guatemaltecos e migrantes de outros países.

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