Guedes critica teto de gastos e justifica furos do governo Bolsonaro: 'foi mal construído'

BRASÍLIA — O ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou o teto de gastos em evento da pasta nesta sexta-feira (dia 18). Ele disse que o mecanismo que limita o avanço das despesas à inflação do ano anterior foi "mal construído", e que isso justifica as vezes que o governo de Jair Bolsonaro furou a regra. Ele também alfinetou o governo eleito do PT ao dizer que o conflito entre responsabilidade fiscal e social é "historinha" de quem não sabe encontrar uma solução técnica.

— Nós respeitamos o teto de gastos, a não ser em situações excepcionais, porque foi mal construído — declarou em evento que marcava os 30 anos da Secretaria de Política Econômica do ministério.

Guedes também criticou a equipe de Lula, afirmando que é um erro querer aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) da Transição para retirar os gastos do Bolsa Família do teto de gastos, permitindo a ampliação do pagamento às famílias, uma promessa de campanha do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

— Nós disparamos o maior programa social que já houve com responsabilidade fiscal. Que historinha é essa de conflito social com fiscal? Isso é ignorância. Isso demonstra incapacidade técnica de resolver — criticou.

Tanto Lula quanto Jair Bolsonaro prometeram, durante a campanha, manter o pagamento da transferência de renda na média de R$ 600. O governo atual aprovou, em julho deste ano, a PEC eleitoral, que permitiu a elevação do pagamento da média de R$ 400 para R$ 600 até o final deste ano.

O problema é que a proposta do Orçamento só prevê recursos para manter o pagamento do benefício no patamar de R$ 400. Para garantir a manutenção do piso do auxílio em R$ 600 já em janeiro, a equipe da transição de Lula negocia com o Congresso a aprovação de uma PEC que tira a transferência de renda do teto de gastos. A minuta do texto foi entregue nesta semana e parlamentares discutem mudanças, como a fixação de um prazo para essa exceção ao teto.

Guedes ainda criticou o que classifica de narrativa política e que foi explorada pelo PT na campanha: a fome no Brasil. Segundo o ministro, o governo Bolsonaro expandiu os programas de transferência de renda no Brasil e retirou milhões de pessoas da pobreza. Ele disse que o discurso de que há famintos no Brasil vale para ganhar eleição, mas que é preciso trabalhar para propor algo melhor:

— Isso vale para ganhar eleição. Já ganhou? Cala a boca, vai trabalhar, vai construir um negócio melhor. (...) Se fizer menos barulho e trabalhar um pouquinho mais com a cabeça e menos com a mentira, talvez possa ser um bom governo.