Guedes descarta ‘novo PAC’, e diz que caminho do investimento público deu errado

Manoel Ventura

BRASÍLIA — Depois da polêmica criada com a divulgação de um programa comandado pela Casa Civil da Presidência da República focado em obras públicas para a recuperação econômica, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quarta-feira que o caminho do gasto federal já foi testado e deu errado.Ao criticar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ícone das gestões petistas, Guedes afirmou que a retomada virá pelo setor privado.

Na semana passada, o ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, anunciou o chamado Pró-Brasil, para retomar a economia por meio do gasto público. Guedes e equipe não participaram do programa. Depois da repercussão do anúncio, o governo paralisou os plano.— A retomada do crescimento virá pelo investimento privado. O caminho do investimento público, o PAC, já foi seguido e já deu errado. Se você cavou um buraco, foi para o fundo do poço, através dessas obras públicas indiscriminadas, a solução para sair do buraco não pode ser cavar mais fundo, repetir a mesma estratégia, fazer um novo PAC. É evidente que isso aí, pode ter até um ministério ou outro com uma ideia dessa, mas isso não encaixa — disse Guedes, em transmissão ao vivo com o mercado.

O programa de obras públicas é defendido por ministros como o titular da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, e do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. Na semana passada, o governo falou de um programa de R$ 30 bilhões para gerar mais de 1 milhão de empregos.— Não são esses R$ 12 bilhões, R$ 13 bilhões, R$ 15 bilhões por ano que vão colocar o Brasil para voar — disse Guedes, nesta quarta.

Cade: Recebe denúncias de alta de mais de 500% em produtos para combater coronavírus, como máscaras e álcool em gelO ministro disse que o chefe da Casa Civil, ao anunciar o Pró-Brasil, reuniu pedidos da Esplanada dos Ministérios, mas os agentes econômicos reagiram.— Nós vamos surpreender o mundo. A nossa retomada será com saneamento, com transportes, com a infraestrutura, com o marco regulatório do gás, do setor elétrico, com a reforma tributária, com os impostos, com a desoneração do ato de criar empregos — disse Guedes.