Guedes diz que alertou Bolsonaro sobre 'custo econômico pesado' de interferência na Petrobras

Extra
·1 minuto de leitura

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta terça-feira que alertou o presidente Jair Bolsonaro que interferir na Petrobras poderia ter um “custo econômico pesado”.

— É natural que um político se preocupe com isso, principalmente se a base eleitoral dele é dos caminhoneiros. O que nós dissemos ao presidente é que isto (interferência nos preços de combustíveis) tem um custo econômico pesado. Então, resultado: se o objetivo era baixar o preço do combustível, o que aconteceu com isso foi que os mercados começaram a subir o câmbio, a Petrobras perdeu valor, e o presidente mesmo falou: 'Mas, peraí, eu quero fazer isso organizadamente' — disse Guedes, em entrevista à CNN.

No fim de fevereiro, Bolsonaro anunciou pelas redes sociais a indicação de Joaquim Silva e Luna para chefiar a petroleira no lugar de Roberto Castello Branco, indicado para o cargo por Guedes ainda em 2018, durante o governo de transição.

A decisão foi tomada porque o presidente está insatisfeito com a condução da política de preços da estatal, que repassa para as refinarias as variações da taxa de câmbio e da cotação do petróleo no mercado internacional.

A medida se refletiu em sucessivas altas nos preços de combustíveis nos últimos meses, inclusive com impacto para caminhoneiros, considerado um importante grupo de apoio ao governo Bolsonaro.

Na entrevista, Guedes disse que eventual mudança na governança da empresa dependerá da nova gestão.

— O presidente, o CEO da Petrobras, na verdade, que é o Castello Branco, não terá seu contrato renovado. Por quê? Quer se mexer nessa governança? Isso é uma questão em aberto aí para o futuro. Vamos ver como esse novo presidente da Petrobras vai enfrentar esse problema ali na frente — afirmou o ministro