Guedes diz que campanha petista quer ‘roubar votos falando mentiras’

O ministro da Economia, Paulo Guedes, acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de adotar uma campanha que visa “roubar votos das pessoas falando mentiras”, por citar na propaganda eleitoral referências a estudos elaborados por técnicos da equipe econômica que avaliam desatrelar o reajuste do salário mínimo e das aposentadorias da variação da inflação.

Durante evento na capital paulista, o ministro admitiu que as propostas citadas nas peças publicitárias do petista existem, mas não têm sua assinatura e, por isso, não devem ser consideradas como decisões tomadas.

— Não é o meu documento. Tem milhares de estudos no Ministério da Economia. Só é meu quando eu assino — disse.

Em tom exaltado, o ministro atribuiu à campanha do ex-presidente Lula propostas como a substituição do Auxílio Brasil por outro programa social, o fim do regime do Simples Nacional e a cobrança de encargos que recaem sobre empregados formais de trabalhadores informais via PIX. As propostas, no entanto, não são da campanha petista, e sim de um grupo de intelectuais que declarou apoio a Lula. O grupo conta como nomes como Bernard Appy, Pérsio Arida e Sérgio Fausto.

Chamando o grupo de “economistas do Lula”, Guedes afirmou que a imprensa deveria “mandar eles explicarem” as propostas. O ministro voltou a criticar o fato de Lula não ter anunciado quem seria seu ministro da Ecomomia.

O ministro destacou em sua palestra dados como a redução do desemprego “de 14,9% (no início do governo Bolsonaro) para 8,7%” e a recente desaceleração da inflação, que de acordo com Guedes deverá chegar a 5,5% ao ano em dezembro.

Guedes disse que um dos problemas que o governo Bolsonaro enfrenta seria uma série de “fake news” sobre o desempenho da economia brasileira e propostas em estudo pela equipe econômica.

— Como todas as previsões (sobre o desempenho da economia) foram erradas, partiram para a mentira (...) roubando o futuro, roubando o voto das pessoas falando mentiras — disse.

O ministro voltou a prometer que um eventual novo governo Bolsonaro dará ajustes acima da inflação ao salário mínimo, as salários de servidores e a pensionistas do INSS. Guedes disse que, como a peça orçamentária enviada pelo governo previa uma inflação de 7,5% e a atual projeção atual é de 5,5%, haverá recursos para dar o aumento de servidores.

— Salário mínimo e aposentadorias vão subir acima da inflação. Isso é a verdade. A mentira é que o governo Bolsonaro não vai dar aumento do salário mínimo, para os idosos. Mentem, roubam a tranquilidade do povo brasileiro — afirmou o ministro.

Segundo Guedes, os servidores “deram sua contribuição” ao ficarem dois anos sem reajustes e que passariam a ter aumento real de salário.

— Nós iríamos buscar recursos (para conceder o aumento real), mas nem foi preciso . A inflação veio mais baixa que o projetado. As previsões são de 5,5% e tínhamos reservados os recursos para (uma inflação de) 7,5%. (...) Esse dinheiro é para o funcionalismo. O salário mínimo vem de outro lugar, a aposentadoria vem da Previdência e se faltar (será complementado) — afirmou o ministro.

Guedes disse ainda que a taxação sobre lucros e dividendos aprovada pela Câmara dos Deputados e que ainda precisa de aval do Senado traria R$ 70 bilhões de recursos, mais do que os R$ 50 bilhões que, segundo os cálculos do governo, custaria a manutenção do benefício do Auxílio Brasil em R$ 600. O ministro disse ainda que o excedente de cerca de R$ 20 bilhões pode ser usado para aumentar a faixa de isenção do Imposto de Renda.

Críticas ao teto de gastos e a Meirelles

Em sua palestra, Guedes criticou o teto de gastos criado pelo ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que declarou apoio à candidatura do ex-presidente Lula.

— Tem um economista aí que foi anunciado agora, nem economista é, como possível ministro, construiu um teto cheio de furos, de defeitos — disse o ministro, em referência a Meirelles.

— Eu queria diminuir o governo. (...) Retomamos os leilões de petróleo e eu queria dar R$ 20 bilhões para estados e municípios. (...) Vamos reduzir o governo federal e dar dinheiro para estados e municípios, mas o teto é tão mal construído que quando você quer reduzir, fura o teto (...) O teto foi mal feito, por alguém que não é economista — criticou Guedes.

Em outro exemplo, o ministro disse que precisou "levantar o teto para ajudar o povo" durante a pandemia, em alusão ao aumento de gasto social para a concessão de benefícios como o Auxílio Emergencial.