Guedes diz que governo e Congresso fazem disputa legítima pelo Orçamento

CAROLINA LINHARES E BRUNA NARCIZO
***FOTO DE ARQUIVO*** BRASILIA, DF, BRASIL, 20-02-2020 - O presidente Jair Bolsonaro, ao lado dos ministros Paulo Guedes (Economia), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Augusto Heleno (GSI) e do presidente da Caixa Pedro Guimarães, durante cerimônia de lançamento do programa de Crédito Imobiliário com Taxa fixa, no Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Para o ministro da Economia, Paulo Guedes, o enfrentamento entre o presidente Jair Bolsonaro e o Congresso em torno do Orçamento impositivo foi uma "disputa legítima". Ele evitou usar a palavra "acordo" para definir a negociação em torno da divisão de R$ 30,8 bilhões do Orçamento de 2020. 

"O que houve foi uma disputa legítima em torno de Orçamento onde o acordo final, na verdade, o entendimento final foi o seguinte: tudo bem, esse espaço é seu mas, por favor, regulamente o Orçamento impositivo", disse Guedes nesta quinta (5). O ministro deu entrevista à imprensa após reunião com empresários e o presidente Bolsonaro na Fiesp.

O ministro disse também que houve um aprendizado em torno da disputa pelo Orçamento. "Estamos atravessando um período de aperfeiçoamento institucional", afirmou.

"Se nós fizermos uma leitura construtiva do que está acontecendo, o resultado é um pouco diferente da leitura negativa. Isso vale para PIB e para brigas políticas. [...] É natural que que o Congresso empurre um pouco, que o Executivo lute pelo seu espaço orçamentário", completou.

Segundo Guedes, o governo e o Congresso vão trabalhar juntos porque "tem espaço para todo mundo no Orçamento".

O ministro minimizou os recentes embates entre Bolsonaro e os parlamentares. "Eu acho que nós vamos entender que temos um país extraordinário, nós temos um sistema politico efetivo, que funciona", disse.

Nos últimos dias, Bolsonaro entrou em rota de colisão com o Congresso não só pelo Orçamento impositivo, mas ao disparar mensagens pelo WhatsApp com convocações para protestos de rua contra os parlamentares.

Ao comentar a alta do dólar, o ministro falou sobre os embates. "É natural, nós não implementamos ainda as reformas. Há muita dúvida, vocês mesmo estavam noticiando dois dias atrás 'está o caos, o presidente não se entende com o Congresso, não vai ter as reformas mais'. Toda hora tem uma bomba né?", disse.

Após um acordo com o governo, o Congresso manteve, nesta quarta-feira (4), vetos de Bolsonaro ao Orçamento impositivo e deu uma trégua temporária na disputa pelo controle de verbas federais.

Com a decisão, o Executivo retoma por enquanto o controle de R$ 30,8 bilhões, mas o acerto prevê que a gestão desse montante ainda será repartida com o Parlamento, com a votação de projetos prevista para a semana que vem.

A tensão subiu após o ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) afirmar, no dia 18 de fevereiro, que congressistas chantageiam o Planalto.