Guedes e Campos Neto vão falar sobre offshores no Senado e na Câmara

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BRASÍLIA — Por acordo, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou, nesta terça-feira (dia 5), convites para que o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, prestem esclarecimentos sobre empresas mantidas por eles no exterior em paraísos fiscais. A oitiva foi agendada para 19 de outubro.

Os casos foram revelados como parte de uma série de reportagens sobre políticos, empresários e gestores públicos de todo o mundo que mantêm ou tiveram contas em paraísos fiscais, nos Pandora Papers, iniciativa do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos.

Na segunda-feira, a Procuradoria-Geral da República (PGR) anunciou que vai abrir uma investigação preliminar sobre a empresa no exterior mantida por Guedes.

Inicialmente, o requerimento era pela convocação de ambos, o que os obriga a comparecer, mas o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), costurou um acordo para que a solicitação fosse transformada em convite, o que politicamente tem um peso menor.

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O parlamentar acrescentou:

— Agora, quando as autoridades monetárias aparecem com conta de offshore, é mais do que necessário que haja todos os esclarecimentos, sem pré-julgamento.

Aliado do governo, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) disse que a vinda de Guedes e Campos Neto se faz necessária no momento:

— Os dois são as nossas maiores autoridades em matéria econômica, então eu penso que é necessário. O apelo que faço é que transformemos o requerimento de convocação em convite. O líder do governo já está aqui com o compromisso de ambos comparecerem na CAE. Penso que é importante virem aqui, mas não pelo instrumento de convocação, já que o ministro nunca se negou a vir.

Acredita?

— Chegamos aqui a um entendimento — concordou Fernando Bezerra — Mas ressalto que essas contas foram devidamente informadas a essa Comissão de Assuntos Econômicos quando da sabatina de Campos Neto. Da mesma forma, Guedes informou à Comissão de Ética da Presidência da República — reforçou o líder do governo, que acrescentou:

— Ambos reiteram que desde a posse não fizeram qualquer movimentação ou transferências de recursos para essas contas. De qualquer forma, compreendemos que o assunto merece maiores esclarecimentos e os dois estão dispostos a prestar essas informações. Eles sugerem a data do dia 19, após a semana do feriado. Será a primeira data útil da CAE.

O filho do presidente da República, Flavio Bolsonaro (Patriota-RJ), afirmou que inicialmente era contra a convocação e que achava ruim usar a CAE "de palanque para desgastar o governo", mas depois mudou de ideia.

— Isso aí impacta em cotação do dólar, na Bolsa de Valores, na confiança dos gestores internacionais que ficam preocupados com a instabilidade que a oposição constantemente mantém aceso esse fogo, sem pensar no Brasil. Contudo, após a intervenção do Fernando Bezerra, penso que a vinda pode ser importante para a discussão da reforma do Imposto de Renda — disse Flavio.

No primeiro pedido, o deputado Paulo Ramos (PDT-RJ) registra que há “aparente conflito de interesses” na existência de valores milionários em paraíso fiscais. Ainda não há data para a sessão.

“Não é ilegal ter empresa em paraíso fiscal, desde que seja declarada à Receita Federal e ao Banco Central e o dinheiro tenha procedência lícita. Apesar da afirmação, quem ocupa cargos públicos, sobretudo no alto escalão da Administração Pública Federal, está sujeita a regras mais rigorosas que têm como objetivo evitar o auto favorecimento”, diz o parlamentar na justificativa do requerimento.

Inicialmente, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também constava do pedido de convocação. Mas o nome dele foi retirado. O outro pedido para a convocação de Guedes é assinado por Kim Kataguiri (DEM-SP).

“Considerando que o Sr. Paulo Guedes é o Ministro da Economia, o quadro se torna bastante grave, porque, sem a devida supervisão dos órgãos brasileiros, não podemos saber se ele se beneficiou financeiramente de algum dos atos praticados por ele ou por seus subordinados enquanto ministro de Estado”, argumenta Kataguiri.


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