Guedes enaltece ações do governo Bolsonaro em cadeia nacional de rádio em meio à campanha

O ministro da Economia, Paulo Guedes

BRASÍLIA (Reuters) - O programa “A Voz do Brasil”, transmitido para toda a cadeia nacional de rádios, destinou aproximadamente 23 minutos da edição desta quinta-feira a uma entrevista com o ministro da Economia, Paulo Guedes, na qual ele enalteceu ações do governo Jair Bolsonaro, reforçou promessas na área social, ressaltou melhora em indicadores econômicos e desenhou cenário positivo à frente para o país.

“O Brasil está crescendo mais rápido do que se previa e a inflação descendo. Pela primeira vez vamos ter inflação mais baixa que Estados Unidos, Inglaterra, que todos os países. Então, brasileiros, orgulhem-se do país. Nós estamos retomando o crescimento, gerando empregos”, disse, após afirmar que o Brasil está no “caminho da prosperidade”.

Reproduzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), companhia pública federal, o programa “A Voz do Brasil” é transmitido para toda a cadeia nacional de rádios --que têm de obrigatoriamente veiculá-lo escolhendo um horário na faixa entre 19h e 22h--, divulgando atos do governo, além de informações dos poderes Legislativo e Judiciário.

O advogado especialista em Direito Eleitoral Neomar Filho afirmou à Reuters que, segundo a Lei das Eleições, agentes públicos são proibidos de fazer pronunciamento em cadeia de rádio e televisão durante o período de campanha, salvo em situações relevantes, de urgente necessidade e por características das funções do governo, devidamente autorizadas pela Justiça.

“Inicialmente, o caso da entrevista de um ministro para todo o país, à margem de autorização da Justiça Eleitoral e fora das hipóteses previstas, se enquadra nessa vedação”, disse, ponderando que a definição de conduta vedada também dependeria de avaliação sobre o conteúdo da fala do ministro.

Na entrevista, Guedes voltou a dizer que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil pode chegar a 3% este ano, citando também dados de redução do desemprego e do endividamento público, ampliação dos investimentos privados, reforço em programas de crédito e melhora nas projeções para a inflação.

O ministro também celebrou resultados de privatizações e de leilões de concessão feitos pelo atual governo.

Para Guedes, a Europa viverá um período difícil, em meio ao conflito no leste do continente, e os Estados Unidos passarão por uma fase de inflação alta com recessão econômica. Em contraposição, ele afirmou que o Brasil é um “porto seguro na economia mundial”.

Na área social, Guedes disse que o governo cortou tributos de produtos da cesta básica e reforçou a promessa de Bolsonaro de que o Auxílio Brasil de 600 reais será prorrogado para 2023. Após o governo anunciar um corte de recursos no programa Farmácia Popular, ele afirmou que a iniciativa será mantida no ano que vem.

Como mostrou a Reuters, Guedes passou a atuar ativamente nas últimas semanas em busca de votos pela reeleição de Jair Bolsonaro, embora tenha rejeitado papel formal no núcleo da campanha do presidente.

Pesquisas de intenção de voto mostram liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições de outubro. Bolsonaro, que tenta a reeleição, aparece na segunda posição.

Em palestra na noite de quarta-feira, o ministro demonstrou preocupação com restrições eleitorais e chegou a pedir auxílio de assessores para que o informassem sobre regras para o período de campanha.

“Eu vou falar um pouquinho e de repente eu mudo, vou para a direção da política, porque primeiro eu tenho que falar de economia. São restrições eleitorais, o ministro tem que falar de economia. Mas parece que tem um horário, que não sei se é às seis ou às sete, que eu posso tirar a gravata e falar de política”, disse durante um congresso do setor varejista em São Paulo.

(Por Bernardo Caram)