Guedes nega demora no auxílio emergencial e diz que R$ 600 não é sustentável

Manoel Ventura
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Ao comentar nesta sexta-feira a aprovação da proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permite a volta do auxílio emergencial, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a equipe econômica não atrasou o benefício e quem deu o “timing” da medida foi a políticia. Ele disse também que uma benefício no valor de R$ 600, como foi no ano passado, não é sustentável.

— Não acreditem na narrativa que a economia está contra o auxílio emergencial, que a economia atrasou o auxílio emergencial. Isso é uma falsa narrativa. Isso é narrativa política. O auxílio emergencial não saiu antes porque a política é quem tem o relógio. Quem manda e quem dá o timing é a política. E só a polícia poderia nos autorizar — disse Guedes, em entrevista ao site “Jota”.

A PEC foi aprovada na madrugada desta sexta e será promulgada na segunda-feira. Os pagamentos devem começar apenas em abril. Guedes disse que precisava da aprovação da PEC para autorizar os pagamentos e, por isso, o benefício não começou a ser transferido antes.

— O auxílio emergencial não saiu até hoje não é porque a economia não quisesse, porque o presidente não quisesse, é porque a política estava travada — disse.

Guedes defendeu o limite de R$ 44 bilhões para o auxílio neste ano. Em 2020, foram cerca de R$ 300 bilhões.

— Você não pode chegar e dar um cheque em branco. Não pode falar “o dinheiro vai ser o que for preciso, toma aqui R$ 1 trilhão”. Se nós fizermos isso, a inflação, que está subindo rapidamente, que até julho vai passar de 6%, que por enquanto é setorial, mas está começando a ficar generalizada, ela vai embora, vai para 7%, 8%. E o juro tem que subir para 9%, 10%. Aí o Brasil começa a entrar em colapso de novo por falta de compromisso com o protocolo fiscal — disse o ministro.

— Nós estamos, na verdade, protegendo os mais pobres. Tem uma narrativa falsa que nós estamos contra os mais pobres. Se fizéssemos o cheque em branco a inflação vai embora. Se a inflação for embora, quem vai pagar mais são os mais frágeis da população brasileira.

Em 2020, o governo pagou cinco parcelas de R$ 600 e quatro parcelas de R$ 300 para 68 milhões de pessoas no total. Neste ano, serão R$ 250 em média durante quatro meses para cerca de 40 milhões de cidadãos. Guedes afirmou que repetir o valor de R$ 600 seria insustentável.

— Não pode continuar com aquele R$ 600 porque aquilo não é sustentável. Aquilo vai virar inflação e prejudicar os mais frágeis. Se falar “olha, vou dar R$ 600 para todo mundo por dois anos”, a inflação para 5%, 6%, 7% e acabou — disse, reforçando que o governo pretende propor um novo programa social neste ano.

Guedes ainda comentou a disparada da inflação. Em 12 meses, a inflação acumulada nos 12 meses até fevereiro já se aproxima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE, a taxa avançou para 5,20%, a maior desde janeiro de 2017. A meta de inflação do BC para este ano é de 3,75% – podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

Para o ministro, o resultado demonstrar uma alta “transitória e setorial” de preços. Os alimentos pesaram bastante sobre o indicador ao longo do período e, mais recentemente, os combustíveis também.

— Esse aumento de preços de alimentos, material de construção, é fruto, de um lado, da subida do dólar e da alta das commodities. E de outro lado do auxílio emergencial, que foi potente, e encher os supermercados — disse o ministro.

Guedes afirmou que aprovação da autonomia do BC sinaliza que o aumento de preços é temporário:

— Esse aumento de preços é setorial e transitório. É um choque de oferta, um choque transitório de preços. Nós precisamos sinalizar claramente que isso não vai virar um aumento permanente e generalizado de preço. É um aumento setorial e transitório. Como sinaliza isso? Com a autonomia do Banco Central. De um lado vem a autonomia do Banco Central e do outro as reformas.