Guedes sugere transferir recursos de venda de estatais como ‘bônus’ no Bolsa Família

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BRASÍLIA — O ministro da Economia, Paulo Guedes, sugeriu nesta terça-feira distribuir parte de valores arrecadados com venda de estatais diretamente para a população mais vulnerável. Seria um programa de “distribuição de riqueza” para além do Bolsa Família, disse Guedes.

— O Estado brasileiro tem muitos recursos. Então, você fala o seguinte: “bom, se eu vender uma estatal, eu reduzo a dívida pública”. Só que ninguém tem incentivo para vender. Então se eu vender uma estatal por 100, quem sabe se eu pegar 20% e jogar pros mais pobres? Distribuição de riqueza, não só de renda. As estatais pertencem ao povo brasileiro. Oitenta por cento eu vou reduzir a dívida, mas vinte por cento eu vou distribuir — disse o ministro, em evento do setor financeiro.

Para Guedes, atrelar o resultado da venda de estatais a um programa como esse pode ser um incentivo para acelerar as privatizações, que pouco avançaram durante o governo Jair Bolsonaro.

— Uma coisa é transferência de renda. “Olha, tá aqui um bolsa um Bolsa Família”. Agora , se privatizar “A”, “B” e “C”, dobrou o Bolsa Família nesse ano. Se não vender nada, não vem mais nada. Não consegui vender nada… — disse o ministro.

Guedes também disse que isso pode acontecer com dividendos de estatais depois do fechamento de empresas públicas deficitárias.

— Tenho R$ 30 bilhões de dividendos aqui, mas gasto R$ 30 bilhões para estatais dependentes do lado de lá. Um consome o outro. Quem sabe se eu fechar essas dependentes isso aqui ou vender, sobra esse dividendo aqui e eu dou uma chuveirada pro pessoal mais frágil — disse o ministro.

Guedes afirmou que esse modelo não será um substituto do Bolsa Família, que é recorrente.

— Ou seja, tem não só o Bolsa Família, que é recorrente, mas tem de vez em quando um bônus de capitalismo popular, sim, quando eu vendo uma estatal, celebrem, está aqui dinheiro os mais frágeis. Isso pertence a vocês — afirmou.

O ministro lembrou o discurso de quem é contra as privatizações, citando que as estatais “são do povo brasileiro”.

— As estatais não são do povo brasileiro? Não é o que se diz? “Não pode vender estatal não, porque é do povo”. Não, eu quero vender pra poder entregar ela pro povo. Estamos desenvolvendo uma ideia dessa também. Vamos estimular, quem sabe, a gente acelera um pouco as privatizações. E a gente melhora o problema da desigualdade social — completou.

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