Guerra da Ucrânia: Brasil e outros 41 países foram alvo de ciberataques russos, diz Microsoft

A gigante tecnológica Microsoft divulgou nesta quarta-feira um relatório que indica que o Brasil e outros 41 países foram alvos de ciberataques russos durante o conflito na Ucrânia. Segundo a empresa americana, a Rússia fez "espionagem estratégica" devido a um "apoio direto ou indireto" à Ucrânia. A empresa, no entanto, não especifica qual foi o alvo brasileiro.

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De acordo com o presidente da Microsoft, Brad Smith, enquanto os russos atravessaram a fronteira para início dos conflitos no dia 24 de fevereiro deste ano, a guerra cibernética já havia começado.

"Os primeiros tiros foram disparados horas antes, quando o calendário ainda mercava 23 de fevereiro. Envolviam uma arma cibernética chamada 'Foxblade', lançada contra computadores na Ucrânia. Refletindo a tecnologia de nosso tempo, aqueles entre os primeiros a observar o ataque estavam a meio mundo de distância, trabalhando nos Estados Unidos em Redmond, Washington", descreveu em publicação no blog da empresa nesta quarta-feira.

A Rússia teria, de acordo com investigação da Microsoft, atacado virtualmente 128 alvos em 42 países fora da Ucrânia, como Brasil, Canadá e Polônia. Os Estados Unidos, por sua vez, foram os mais visados, com 12% do total global.

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Essa "espionagem estratégica" tem foco em agências governamentais (que representam metade dos alvos), além de ONGs e grupos humanitários envolvidos em prestação de ajuda à população civil e apoio a refugiados, como também empresas de tecnologia da informação e energia. Empresas envolvidas em "defesa crítica" também foram alvo.

"Embora ninguém possa prever quanto tempo essa guerra vai durar, já é evidente que ela reflete uma tendência testemunhada em outros grandes conflitos nos últimos dois séculos. Os países travam guerras usando a tecnologia mais recente, e as próprias guerras aceleram a mudança tecnológica", reforçou Smith.

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O método que a Rússia usa, segundo a Microsoft, envolve ataques cibernéticos destrutivos na Ucrânia, além de "penetração de rede e espionagem fora da Ucrânia", somados a operações de "influência cibernética".

Estratégia começou antes da Guerra

A criação de falsas narrativas também foi abordada pelo relatório divulgado nesta quarta-feira, em que o governo russo teria impulsionado a hipótese de uma suposta arma biológica construída pela Ucrânia. "Esta narrativa foi carregada pela primeira vez no YouTube em 29 de novembro de 2021", diz o relatório, apontando um canal de um americano radicado em Moscou, que acusava os EUA de financiarem biolaboratórios.

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Quando o conflito entre Rússia e Ucrânia começou propriamente, em fevereiro deste ano, de acordo com a Microsoft, essa narrativa também foi inserida na batalha. "Uma equipe de análise de dados da Microsoft identificou 10 sites de notícias controlados ou influenciados pela Rússia que simultaneamente publicou relatórios em 24 de fevereiro apontando para (um) 'último relatório do ano' e procurando dar-lhe credibilidade. Equipes patrocinadas pela Rússia trabalharam, então, para ampliar a narrativa sobre redes sociais e sites da Internet de forma mais ampla", concluiu o relatório.

Covid-19

A estratégia russa também envolveu a vacina Sputnik V, enquanto depreciava as vacinas Pfizer e Moderna. De acordo com o relatório, a mensagem russa mudava de acordo com o idioma. Sites em russo tratavam o imunizante nacional como eficaz contra a Covid-19, além de valorizar o lockdown e noticiar que o número de casos e mortes pelo coronavírus aumentava.

Já em inglês, as publicações falavam que "vacinas não conseguem conter a transmissão e são ineficazes contra novas cepas", além de citar "efeitos colaterais perigosos" da vacina da Pfizer e que a empresa, ao lado da Moderna, realizava "testes não regulamentados". Também foi divulgado que a vacinação em massa teria fins políticos.

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