Guerra da Ucrânia: ex-capitão da seleção da Rússia diz ter implorado a Putin fim do conflito: ‘estou disposto a me ajoelhar’

Ex-capitão da seleção russa de futebol, o meio campista Igor Denisov contou ter enviado um vídeo ao presidente Vladimir Putin poucos dias após o início da ofensiva do país contra a Ucrânia, em março deste ano. Ele contou que, na oportunidade, teria implorado para que o mandatário não desse prosseguimento ao conflito, que já está perto de completar quatro meses.

Na Ucrânia: Macron diz que apoia candidatura 'imediata' do país à União Europeia

Guerra: Rússia vai punir com até 20 anos de prisão militares que passarem para o lado ucraniano

Alerta da ONU: Milhares de civis presos na cidade ucraniana de Severodonetsk estão ficando sem água

“Não sei. Pode ser que me prendam ou me matem por essas palavras, mas digo as coisas como são. Eu até disse a ele: estou disposto a me ajoelhar diante de você. Eu sou um cara orgulhoso. Eu estava disposto a me ajoelhar para parar tudo. O que importa a vida de uma pessoa? Quem é Denisov?”, contou o jogador em entrevista ao jornalista russo Nobel Arustamián reproduzida pela imprensa esportiva local.

Campeão da Liga Europa com o Zenit em 2008, Denisov disse que enviou um vídeo a Putin poucos dias após o início da guerra, em 24 de fevereiro. O jogador contou que, desde então, não conseguia dormir nem comer mais normalmente.

Unicef: Quase dois terços das crianças da Ucrânia deixaram suas casas

Crítico da ofensiva realizada pelo seu país, ele considerou correta a exclusão da seleção da Rússia dos playoffs para a Copa do Mundo do Catar, bem como dos clubes russos das competições europeias, dizendo que “todos” os russos são responsáveis pelo que acontece no país vizinho. Segundo Denisov, a única maneira de parar a guerra é a adoção de sanções contra a Rússia.

“Se nosso país entrou lá, considero que é nossa culpa comum. Se eu disser que isso está errado, nada vai mudar. Mil pessoas dizem isso, nada vai mudar. Um milhão, nada vai mudar. Só quando todos, os 140-150 milhões, entenderem que isso está errado, com certeza alguma coisa vai mudar”, disse.

Conselho de Direitos Humanos: ONU investiga denúncias de adoções forçadas de crianças ucranianas na Rússia

O jogador também criticou o fato de as autoridades russas adotaram uma lei que pune com até 15 anos de prisão a divulgação de informações que critiquem o exército russo pelo combate na Ucrânia.

“Mesmo agora estou com medo. Mas não posso não dizer. Não vou me esconder ou fugir para algum lugar. Eu não preciso disso. Mas como posso calar a boca se é isso que sinto?”, disse.

Papa Francisco: Pontífice critica 'brutalidade' russa, mas diz que guerra na Ucrânia 'pode ter sido provocada'

Entre os jogadores da seleção russa de futebol, apenas o atacante Fyodor Smolov, do Dínamo Moscou, criticou a guerra em suas redes sociais. Por meio de sua conta no Instagram, o atleta publicou uma imagem acompanhada da legenda “sem guerra” pouco após a invasão da Rússia.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos