Guerra na Ucrânia: ONG denuncia Rússia por recrutamentos forçados na Chechênia

AP

A invasão na Ucrânia entra em seu sexto mês e o exército russo precisa de mais tropas. Para convencer "voluntários", as autoridades chechenas recorrem a métodos contestáveis, dizem defensores dos direitos humanos. Paralelamente, aumenta o número de jovens russos que tentam escapar do serviço militar.

Anastasia Becchio,da redação da RFI

As autoridades russas dissolveram, há quatro meses, a ONG Memorial, que, apesar da repressão, conseguiu manter contatos na Chechênia. Há algumas semanas, essa organização recebe informações segundo as quais os serviços de segurança chechenos sequestram homens e os obrigam a integrar as tropas russas que lutam na Ucrânia sob o status de "voluntários".

"Policiais chechenos detém pessoas com antecedentes criminais e propõem a elas que se apresentem ao exército como voluntários, para que paguem por sua liberdade, ou serão presos", diz Alexandre Cherkasov, presidente do conselho de administração do centro de direitos humanos da Memorial.

O pagamento em troca da liberdade não é barato. De acordo com informações recolhidas pela organização, os cidadãos precisam desembolsar cerca de 500 mil rublos (quase R$ 48 mil).

A Chechênia faz parte das 85 regiões da Federação russa. E todas receberam ordem para formar batalhões de cerca de 400 homens entre 18 e 60 anos. O objetivo é levado extremamente a sério pelo dirigente checheno, Ramzán Kadírov. Ele também tem a ajuda de líderes religiosos que tratam a guerra na Ucrânia como uma espécie de "jihad" [guerra santa contra infiéis].

"Em cada região da Rússia, batalhões de 'voluntários' são recrutados. A Chechênia é responsável por quatro batalhões. Kadírov é um dos principais participantes desta guerra, em todos os aspectos", afirma Cherkasov.

Jovens russos fogem do serviço militar

Diversas ONGs indicam que há cada vez mais jovens russos que tentam escapar do serviço militar obrigatório. Para isso, precisam comprovar inaptidões por problemas de saúde, uma matrícula na universidade ou convicções pessoais e religiosas. Desta forma, em vez de se apresentarem às Forças Armadas, realizam um "serviço civil alternativo".

"Convocam muitos jovens que, em tempos normais, não teriam sido recrutados para o serviço militar. A quantidade de convocações foi multiplicada por sete", aponta Elena Popova, diretora da ONG Movimentos de Opositores.

No início da guerra, as autoridades russas reconheceram ter enviado jovens recrutas à Ucrânia, mas o presidente russo, Vladimir Putin, colocou fim a essa prática após ter sido criticado pela população. "Não acredito que se arrisquem a recorrer a essa alternativa novamente porque temem uma revolta", afirma Popova.

Para consequir recrutar mais soldados, a Rússia utiliza outros métodos, como a contratação de integrantes de companhias militares privadas. Muitos homens denunciam terem sido vítimas de intimidação, a exemplo do que ocorre na Chechênia. Moscou também vem recrutando jovens recém saídos do serviço militar nas zonas mais pobre do país.

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