Guia das eliminatórias europeias: seleções e jogadores para ficar de olho no caminho para a Copa do Mundo

Vitor Seta
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A Eurocopa que aconteceria em 2020 acabou adiada em um ano devido à pandemia do novo coronavírus. Antes mesmo que a competição, uma tradicional prévia da medição de forças na Europa, comece — está prevista para 11 de junho — o calendário oficial das seleções do continente já reserva fortes emoções: começam nesta quarta-feira as eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022, no Qatar. Na partida que abre a primeira de três rodadas que serão disputadas em sequência, a Turquia recebe a Holanda, às 14h (Brasília).

O método de classificação é engenhoso: as seleções estão dividas em dez grupos, e as primeiras colocadas estarão diretamente classificadas à Copa. As vice-campeãs de cada grupo participarão de uma fase mata-mata envolvendo outras duas seleções — as melhores classificadas na fase de grupos da Liga das Nações que não estejam entre as primeiras nem as segundas colocadas nos grupos das eliminatórias. Desta fase, sairão três classificadas ao mundial.

As rodadas têm presença confirmada de duas das estrelas mais badaladas do futebol mundial: o norueguês Erling Haaland e o francês Kylian Mbappé. Vivendo fase fenomenal no Borussia Dortmund, Haaland terá a ajuda de Odegaard (Arsenal), camisa 10 da Noruega, para tentar levar a equipe pela primeira vez a uma Copa do mundo desde 1998, quando bateram o Brasil. Os nórdicos não estão em um grupo fácil: precisarão fazer frente com Holanda e Turquia para ficar com uma das duas primeiras colocações do grupo. A estreia é nesta quarta-feira, contra Gibraltar, às 16h45.

No caso de Mbappé, a tarefa é menos complicada. Campeão do mundo em 2018, o craque do PSG tem ao seu lado uma fortíssima equipe da França, bem servida em todos os setores. Mesmo que não jogue futebol dos mais brilhantes dada a sua oferta de talento, o time de Didier Deschamps não deve ter grandes problemas em seu grupo. O adversário mais complicado deve ser justamente a Ucrânia, na estreia, às 16h45 desta quarta-feira.

Itália e Holanda aprendem com decepções

A abertura da rodada traz uma das seleções mais interessantes do torneio. A Holanda, que vinha de um terceiro lugar e de um vice-campeonato em 2014 e 2010, respectivamente, ficou de fora do mundial de 2018, na Rússia. Para evitar um novo vexame, a Laranja Mecânica se renovou: em trabalho iniciado por Ronald Koeman, hoje no Barcelona, jovens talentos passaram a ganhar espaço e hoje, a equipe liderada por Memphis Depay (Lyon) tem à disposição uma espinha dorsal sólida, com nomes de destaque na defesa e entre os meio-campistas.

Frank de Jong (Barcelona), Donny van de Beek (Manchester United), e Mattjis de Ligt (Juventus) são alguns dos nomes de topo que foram chamados para as partidas. Nesta prova de fogo, a equipe de Frank de Boer convive com a irregularidade e a dificuldade em concretizar oportunidades, os principais fantasmas do ano passado. O capitão Virgil van Djik (Liverpool), lesionado, é a principal baixa dos holandeses.

Outra seleção tradicional que não quer dar chance à decepção novamente é a Itália. Após o vexame da não ida à Copa da Rússia, a Azzurra apostou no experiente Roberto Mancini para tentar dar nova vida à sua equipe. Dona de uma tradicional escola defensiva, os italianos viram crescer e amadurecer uma talentosa safra de jogadores ofensivos nos últimos anos, e o resultado veio na última convocação. Foram dez atacantes convocados, e boa deles têm totais condições de assumir a titularidade, como Belotti (Torino), Berardi (Sassuolo), nomes de alta regularidade produtiva no Campeonato Italiano. Bem como Immobile (Lazio), que depois de enfrentar altos e baixos na carreira, vive seu auge aos 31 anos. O centroavante marcou 39 gols em 44 jogos na última temporada, e soma 19 tentos em 2020/21.

A dificuldade na renovação italiana parece ser justamente na defesa. Os experientes Chiellini (36 anos) e Bonucci (33), da Juventus, seguem firmes na equipe. Por outro lado, nomes como o do agudo Federico Chiesa, que deixou a Fiorentina rumo à Juventus no início da temporada, e Barella, da Inter de Milão — que quase foi desconvocado por uma possível contaminação por Covid-19 — são jovens de confiança para comandar o meio-campo da equipe de Mancini.

Portugal e Gales: competitividade desde a Euro

Desde que venceu a Euro de 2016 em um uma campanha épica, Portugal tem trabalhado sua seleção para tornar resultados como aquele mais frequentes — e tem conseguido. Sob o comando de Fernando Santos e uma safra de jovens que pouco a pouco tem se destacado no futebol europeu, como João Félix (Atletico de Madrid), Bernardo Silva (Manchester City), Bruno Fernandes (Manchester United) e Diogo Jota (Liverpool), a equipe do craque Cristiano Ronaldo, da Juventus, foi campeã da Liga das Nações em 2019. O estilo pragmático de Santos ainda está lá, mas os lusos definitivamente sabem o que fazer com a bola no campo de ataque. Nesta quarta, pegam o Azerbaijão, às 16h45, mas o principal adversário do grupo é a Sérvia.

Adversário de Portugal na semifinal daquela Euro, o País de Gales aparece, entre as seleções fora das mais tradicionais, como um postulante a uma vaga para o Mundial. O grupo é difícil — têm a favoritíssima Bélgica de Lukaku e Kevin de Bruyne pelo caminho, além da República Tcheca —, e os comandados de Robert Page (treinando interinamente a equipe, enquanto Ryan Giggs segue afastado após acusações de violência doméstica) precisarão de bons dias de Gareth Bale (Tottenham) e Daniel James (Manchester United). Apesar dos problemas físicos, a equipe de Gales parece ser a que Bale joga com mais conforto em sua carreira. O primeiro compromisso é contra os belgas, nesta quarta-feira, às 16h45.