Guia dos estádios do Carioca: em expansão, Luso-Brasileiro une a tranquilidade da Ilha do Governador à ascensão da Portuguesa

Entre as vias expressas, o movimento intenso nas ruas e avenidas e a boa dose de caos inerentes à cidade do Rio de Janeiro, encontrar um cantinho com clima de tranquilidade não é das missões mais fáceis, principalmente quando se trata de futebol. Mas a cerca de 16 km do Maracanã, na Ilha do Governador, o Estádio Luso-Brasileiro oferece um ambiente dos mais aconchegantes para acompanhar uma rodada de Campeonato Carioca — visita que está na agenda de torcedores do Vasco, hoje, e do Botafogo, amanhã.

Nas próximas semanas, O GLOBO publica uma série especial contando o que de melhor os estádios alternativos do Rio de Janeiro podem proporcionar aos torcedores ao longo deste Estadual. Do Luso ao Raulino de Oliveira, o guia traz dicas gastronômicas, relatos sobre as comunidades de torcedores e um gostinho do que o mapa do futebol fluminense tem a oferecer.

A principal tarefa de cruz-maltinos e alvinegros, que enfrentam a dona da casa, a Portuguesa, e o Madureira, respectivamente, será a chegada ao estádio. Região formada por vários bairros, a Ilha do Governador é famosa por ter apenas uma entrada e saída, tornando a jornada um pouco mais complexa. Superado esse obstáculo, a chegada à região praticamente coloca o torcedor à beira do bairro homônimo ao clube e onde fica o Luso.

Hoje, os vascaínos acessarão o estádio pela rua Figueira da Foz, pela parte lateral. Descendo esta rua na direção contrária à entrada do Luso, darão de cara com a Estrada do Galeão e um calçadão boêmio em recente expansão, com variedades de bares. Há opções para todos os gostos, de uma simples tarde com petiscos e cerveja a música ao vivo.

Os que preferem curtir o clima de jogo já na porta do estádio certamente pararão no Trailer do Cleber, que fica entre o fim da Figueira da Foz e a rua Haroldo Lobo, praticamente em frente à entrada social da Portuguesa. Por lá, concentra-se a massa de torcedores, que revezam entre churrasco e cerveja, além de acompanhar os jogos da rodada. O GLOBO visitou o estádio antes da partida entre Portuguesa e Bangu, no sábado, e acompanhou uma animada confraternização entre as duas torcidas no local.

Dona da casa, a Portuguesa vive um momento de ascensão. Vem de campanhas de semifinal e sétimo lugar geral nos Cariocas de 2021 e 22. Na temporada passada, ficou a uma fase do acesso à Série C do Brasileirão, além de ter feito grande jornada na Copa do Brasil, eliminando CRB e Sampaio Correa antes de cair nas oitavas para o Corinthians.

— Foi difícil a comunidade abraçar [...] A gente mora na Ilha, temos um clube e uma escola de samba (a União da Ilha) e não abraçamos. Se cada um desse um pouco de si, viraria uma potência e daria visibilidade, valor cultural, à nossa região — conta Felipe Simões, de 20 anos, que integra um dos movimentos de torcedores da Lusa, que ganharam força nos anos 2010. Ele comemora a mudança de cenário e dá as boas-vindas a quem visitar o Luso, pelo menos antes da bola rolar.

— O clima não tem peso, não tem perigo. É fácil de chegar, bom de curtir. Para qualquer um que vier conhecer, é ótimo.

Rafael Rocha, de 16 anos, é parte de uma geração ainda mais jovem de torcedores que se conectam desde cedo ao clube do bairro. O estudante valoriza o movimento crescente no Luso:

— Essa sensação de “é mais que futebol”, de estar conectado com uma comunidade, é uma sensação de outro mundo [...] É uma coisa que só em clube de bairro, em que se está junto todo dia, você vai sentir .

O bom momento em campo é acompanhado por mudanças estruturais no Luso. Ao longo de sua história recente, o estádio foi casa alternativa de Botafogo e Flamengo: no Brasileirão de 2005, enquanto o Maracanã passava por reformas; uma década depois, foi Arena Botafogo (2016) e Ilha do Urubu (2017 e 2018). De lá para cá, ganhou telão e fortes refletores. Em novas reformas, desta vez a cargo da Portuguesa, o estádio deve se credenciar de vez como uma das principais arenas alternativas do Rio.

O clube recebeu da Prefeitura as antigas arquibancadas da Arena do Futuro. Com isso, iniciou o aumento da capacidade do estádio. Hoje, cabem 5.044 torcedores nas cadeiras do Luso. Segundo a diretoria, o projeto pode ampliar esse número para até 16 mil.

As estruturas de concreto que formarão os novos trechos da arquibancada estão posicionadas ao lado da linha lateral do campo e podem ser vistas durante a transmissão dos jogos. As obras serão realizadas ao longo deste ano, com inauguração prevista para 2024. Nada que atrapalhe uma aprazível noite de futebol na Ilha do Governador.