Guia para organizar as contas e economizar mesmo em momento de crise

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De uns tempos para cá, está difícil fazer o dinheiro render o mês inteiro. Os preços dos alimentos subiram consideravelmente; com a bandeira vermelha de energia elétrica no patamar 2 ainda mais alta, a conta de luz ficou caríssima; e até o gás usado para cozinhar está nas alturas: em alguns lugares do Rio, o botijão já passa dos R$ 100. A situação é ainda mais complicada para os trabalhadores que perderam seus empregos durante a pandemia de Covid-19 e para os autônomos que dependem do pagamento do auxílio emergencial, hoje entre R$ 150 e R$ 375. Diante de todo esse aperto, o que podemos fazer? Segundo especialistas, a dica para restringir ainda mais os gastos mensais e “esticar” o dinheiro é tentar reorganizar as contas de consumo, como água, energia, internet e celular.

Eduardo Amendola Camara, economista e professor da Estácio, sugere aumentar o uso da luz natural em casa, desligar eletrodomésticos em stand-by ou mesmo ajustar a temperatura de equipamentos com maior consumo de energia, como chuveiro elétrico, geladeira ou aparelho de ar-condicionado.

— Na prática, algumas medidas como limpar filtros de aparelhos de ar-condicionado e observar a manutenção da vedação da borracha da geladeira podem exigir algum trabalho, e custo adicional, mas poderão gerar uma redução efetiva da conta e o aumento da vida útil destes equipamentos — analisa.

Quem acha que investir em um novo aparelho mais econômico é boa estratégia pode não levar tanta vantagem. Camara afirma que, como as etiquetas de eficiência energética das geladeiras, por exemplo, não são revisadas pelo Inmetro desde 2006, não é possível encontrar um refrigerador realmente eficiente no mercado.

Hoje, o Brasil tem 62,56 milhões de inadimplentes, de acordo com dados da Serasa. A segunda principal razão para o endividamento são as contas de consumo não pagas (22,3%), atrás somente das dívidas com bancos e cartões de crédito e de lojas (29,7%). Mauro Rochlin, economista e professor dos MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV), considera difícil renegociar com as concessionárias. Para não ficar sem o serviço, ele recomenda tentar um empréstimo com um amigo ou um parente, a juros mais baixos. Se não for possível, ele sugere uma pesquisa para descobrir as taxas mais atrativas.

— Antes de recorrer ao empréstimo, porém, é válido fazer uma planilha financeira para saber se há gastos supérfluos que possam ser cortados — diz o especialista.

Desde 2018, os clientes de todas as distribuidoras de energia do Brasil passaram a contar com a opção da Tarifa Branca. Comparada à convencional, essa forma de cobrança pode resultar em redução na conta de luz se o consumidor conseguir deslocar o consumo — ou a maior parte dele — para fora dos horários de pico. Nesse período, a tarifa branca equivale a 0,88 vezes o valor da convencional.

Para os clientes Light, é vantajoso em lares que têm maior consumo de energia das 22h30 às 17h30 do dia seguinte. Já para os da Enel, entre 22h e 16h do dia posterior. Sábado, domingo e feriados nacionais também são considerados horários fora de ponta.

Se não for o caso, ao invés de se beneficiar com a mudança, a família pode pagar uma conta maior: a tarifa branca é 1,83 vezes mais cara do que a convencional no horário de pico. Por isso, é importante fazer uma análise cautelosa antes de decidir. A adesão só pode ser solicitada pelo titular, mediante assinatura de termo de compromisso.

Ainda é possível economizar de outras formas: há programas de eficiência energética que oferecem descontos com alguma contrapartida. Um deles é o Ecoenel, por meio da troca de resíduos recicláveis. Nos últimos dois anos, cerca de 27 mil clientes da Enel destinaram mais de 2,7 mil toneladas de resíduos recicláveis e foram beneficiados com mais de R$ 1 milhão em bônus na conta de energia.

Consumidores de baixa renda têm direito a descontos cumulativos na conta de luz que podem chegar a 65%, por meio da chamada Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE). Para ter acesso ao benefício, é preciso cumprir pelo menos um dos seguintes requisitos: ser família inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), com renda familiar mensal menor ou igual a R$ 550 por pessoa; ser idoso com mais de 65 anos ou pessoa com deficiência que receba o Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC); ter parente que faça tratamento com uso continuado de aparelhos que demandem consumo de energia, desde que a unidade familiar possua renda total de até R$ 3.300 e esteja inscrita no CadÚnico.

Atualmente, a Light possui 505 mil famílias cadastradas na Tarifa Social. Para não perder o benefício, além de atender aos critérios estabelecidos por lei, é preciso manter atualizadas as informações referentes ao benefício junto ao Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).

Os interessados devem entrar em contato com a concessionária apresentando o Número de Identificação Social (NIS) ou do Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC). Essas informações podem ser encontradas no CRAS e no INSS respectivamente. Para a parcela do consumo de energia elétrica inferior ou igual a 30 kWh/mês, o desconto aplicado é de 65%; entre 31 kWh/mês e 100 kWh/mês, é de 40%; entre 101 kWh/mês e 200 kWh/mês, o abatimento é de 10%.

Em virtude da pandemia, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) prorrogou até 30 de setembro a decisão de suspender o corte de energia por inadimplência dos consumidores de baixa renda em todo o Brasil. Para os demais, o advogado de Direito do Consumidor Daniel Blanck explica que o corte só pode ser feito em caso de inadimplência por mais de 90 dias e com duas contas em atraso, mas os consumidores devem ser avisados com 15 dias de antecedência e em horário comercial. Já após o pagamento, o prazo para retorno do serviço é de, no máximo, 24 horas em áreas urbanas.

— Se a energia não for religada, o cliente pode procurar órgãos de defesa do consumidor ou ajuizar ação, exigindo a reparação de danos materiais e morais pela falha — diz Blanck.

A Enel Distribuição Rio tem realizado diversas campanhas de parcelamento, oferecendo condições especiais para que os clientes possam regularizar as contas em aberto com a empresa. No momento, o cliente pode renegociar suas contas atrasadas e fazer o pagamento em até dez vezes com 1% de juros no financiamento e entrada de 10%.

Já clientes Light que desejarem condições mais favoráveis para pagar a conta podem entrar em contato pelo e-mail negociacaolight@light.com.br. Quem tiver pelo menos duas contas não pagas pode solicitar parcelamento em até 12 vezes, porém o sinal deve ser pago até o primeiro dia útil seguinte à data da efetivação do acordo.

No inverno, o consumo de gás tende a aumentar, principalmente em residências que fazem uso do aquecedor de chuveiro a gás — responsável pela maior parte da conta. De acordo com a Naturgy, a instalação precisa ser vistoriada no mínimo a cada dois anos, e as chamas do gás devem apresentar coloração azulada. Além disso, encontrar a temperatura ideal pode ajudar a economizar, já que usar a máxima do aquecedor para misturar água fria desperdiça tanto água quanto gás.

Também há regras simples que podem diminuir o volume de gás gasto na cozinha, seja ele encanado ou de botijão, como usar sempre que possível panelas de pressão que cozinham mais rápido e regular a chama do fogão no mínimo.

Há cerca de uma semana, a Petrobras anunciou aumento de 7% no preço do gás natural. No mesmo período, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) de 13 quilos, na cidade do Rio já era de R$ 82,41. O maior preço médio do estado era de R$ 97,42, em Nova Friburgo.

Para a Federação Única dos Petroleiros (FUP), se a política de reajustes dos combustíveis aplicada pela Petrobras também incluísse custos nacionais de produção, o consumidor seria menos castigado. Como reivindicação, no último dia 08, petroleiros fizeram uma ação comunitária vendendo o botijão a R$ 50 na Zona Oeste.

Professor do Ibmec e da Fundação Dom Cabral, o economista Gilberto Braga orienta os consumidores a ficarem atentos às ofertas de operadoras de telefonia celular. Isso porque, segundo ele, os planos mais em conta não são informados individualmente aos clientes, mas geralmente ficam disponíveis nos sites das empresas.

— Na medida em que os consumidores têm acesso a aparelhos mais modernos, eles tendem a mudar os seus hábitos, e os pacotes de celular tradicionais se tornam obsoletos. Por isso, é comum pagar por serviços e facilidades que já foram importantes, mas que não são mais utilizados. Ou seja, a pessoa pode estar pagando pelo que não usa mais — explica.

Um exemplo disso é a caixa postal de voz, muito pouco usada atualmente e oferecida por todas as operadoras.

— Esse serviço pode ser tarifado ou fazer parte do pacote contratado. Hoje, a maioria dos usuários prefere deixar recado de voz no WhatsApp, que é gratuito, e pode ser intercalado com mensagens escritas e comunicações instantâneas, como emojis e outras figuras. Logo, pagar pelo voice mail ou tê-lo no pacote de telefonia é jogar dinheiro no lixo — alerta.

Uma outra alternativa, segundo Braga, é optar pela portabilidade. Ele dá a dica:

— Na portabilidade, o segredo é estudar todos os planos de todas as operadoras e identificar aquele que melhor se adequa ao perfil de uso do cliente, combinando serviços e facilidades oferecidas com o preço cobrado pelo pacote. Isso pode, inclusive, implicar em trocar de operadora, o que hoje é muito fácil de fazer.

Segundo o economista, um outro ponto a analisar na questão da portabilidade são os descontos na compra de um aparelho novo.

— Essa oferta pode tornar a troca mais atraente para os consumidores, principalmente para aqueles que estão com aparelhos antigos e danificados. A troca de operadora pode ser mais vantajosa do que permanecer na operadora atual e adquirir no mercado um aparelho novo — finaliza Braga.

Para comparar planos de telefonia fixa, celular, banda larga e TV paga, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) oferece, gratuitamente, o aplicativo Anatel Comparador de Ofertas. A ferramenta está disponível para aparelhos móveis com sistemas Android e iOS.

Na plataforma, é possível filtrar a busca por operadora e por preço e até marcar os planos favoritos para ver qual deles se encaixa melhor no orçamento mensal. O engenheiro Fábio Campos, de 42 anos, de Itaguaí, precisou trocar de aparelho e reclamou que há 20 anos é cliente Vivo, mas não conseguiu desconto.

— Fiquei no prejuízo. Fui atrás de oferta e nada.

Planos de controle permitem ao consumidor saber o valor da fatura no fim do mês. Na Vivo, os planos do gênero são os mais indicados para quem quer economizar. Os valores variam de R$ 11,99 por mês (Vivo Turbo com validade de sete dias) a R$ 59,99 mensais (Vivo Controle com um total de 13GB).

A operadora oferece ainda fibra óptica com tecnologia FTTH (Fiber To The Home). Os preços válidos para o mercado do Rio de Janeiro são: Vivo Fibra Internet Banda Larga com Fibra Óptica 300 Mega por R$ 129,99 (plano com wi-fi gratuito e serviços digitais incluídos) e Vivo Fibra Internet Banda Larga com Fibra Óptica + Netflix 300 Mega por R$ 139,99 (com wi-fi gratuito e serviços digitais incluídos, além da Netflix padrão com duas telas simultâneas em HD).

Na TIM, os planos para celulares variam de R$ 54,99 (TIM Controle Light Plus) — com 11,5GB de internet e ligações ilimitadas para a mesma operadora — a R$ 84,99 (TIM Controle Redes Sociais) — com 16GB de internet, redes sociais ilimitadas (Instagram, Twitter e Facebook) e ligações ilimitadas para qualquer operadora.

Na Oi, o plano controle de 50GB sai a R$ 49,99 por mês, caso o cliente escolha o pagamento por cartão de crédito. A opção oferece ligações ilimitadas e utilização das redes sociais sem gastar o plano. A oferta não tem fidelização.

A Claro não enviou suas ofertas.

Observar alguns detalhes pode fazer com que os consumidores consigam reduzir os gastos com a conta de água. O principal deles é o pinga-pinga da torneira. De acordo com a Cedae, uma torneira com filete de água de 1 milímetro (mm) representa o desperdício de 1.280 litros por dia, o suficiente para abastecer uma família de cinco pessoas no mesmo período.

"A Cedae orienta os clientes a sempre usarem a água de forma consciente e disponibiliza no site e no Guia do Usuário sugestões de economia. A companhia ainda oferece algumas dicas para o cliente verificar se há vazamento na rede interna do imóvel, uma das formas aumentar o valor da conta de forma expressiva, proporcionando desperdício de água", informa em nota.

As informações podem ser consultadas no endereço eletrônico www.cedae.com.br/dicas_economia.

Os moradores de conjuntos habitacionais, favelas, áreas de interesse social para residências até 50m² e comércios de até 30m², situados em loteamentos irregulares, e habitações populares destinadas a famílias de baixa renda em terrenos cedidos por órgãos públicos têm direito a tarifa social.

Para solicitar a inclusão na tarifa social, o consumidor deve procurar o SAC (telefone 0800-282-1195) ou uma agência de atendimento mais próxima para informações sobre a documentação necessária, acrescenta a Cedae.

A conta de água está atrasada? Calma, tem como parcelar. De acordo com a Cedae, os clientes podem solicitar o parcelamento da fatura no Serviço de Atendimento ao Consumidor (0800-282-1195) ou na agência de atendimento mais próxima.

Desde o ano passado as contas com vencimento durante o período de pandemia podem ser parceladas pelo site da companhia (www.cedae.com.br), para evitar deslocamentos. Caso a fatura esteja vindo mais cara, diz a Cedae, os clientes podem solicitar a revisão do valor antes do vencimento.

Já os clientes atendidos pela concessionária Águas de Niterói podem entrar em contato pelos canais de relacionamento: WhatsApp (21) 97211-8064, aplicativo Cliente Águas, por chat interativo (disponível no aplicativo e no site www.aguasdeniteroi.com.br) ou pelo 0800 723 1222, e pedirem o parcelamento.

Hidrômetro desgastado impacta na conta? Segundo a Cedae, a elevação anormal do consumo pode significar vazamento nas instalações internas do imóvel, o que corresponde a mais de 90% dos casos. A Águas de Niterói disponibiliza em suas redes sociais e site materiais que ajudam a identificar vazamentos no ramal e nos reservatórios, além de temas "como usar o seu hidrômetro".

As concessionárias de serviços públicos essenciais só poderão interromper a prestação dos serviços dos clientes que estejam inadimplentes por mais de 90 dias e com, pelo menos, duas contas em atraso. É o que determina a Lei 9.356/2021, de autoria do deputado André Ceciliano (PT), sancionada pelo governador Cláudio Castro e publicada na sexta-feira, no Diário Oficial do Estado. A medida vale somente durante a pandemia de coronavírus.

A norma altera a Lei 8.769/2020, que proibia a interrupção por qualquer tipo de inadimplência. A nova regra proíbe o corte do fornecimento de água quando o valor total do consumo por conta em atraso não for superior a 15 mil litros por mês.

A determinação também se aplica ao gás, se houver consumo mínimo. Também não pode haver interrupção de energia elétrica quando a residência estiver incluída nas regras da tarifa social. Por fim, não podem ser cortados os serviços essenciais de unidades utilizadas para centro oficial de armazenamento, distribuição e aplicação de vacinas do coronavírus.

A lei determina ainda que as concessionárias de serviço público deverão oferecer o parcelamento de débitos contraídos durante as medidas restritivas.

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